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ATUALIZAÇÃO
Hamer Nastasy Palhares Alves escreve sobre o médico dependente químico


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Edição 184 - 12/2002

ATUALIZAÇÃO

Hamer Nastasy Palhares Alves escreve sobre o médico dependente químico


O perfil do médico dependente químico

Hamer Nastasy Palhares Alves*

“However seducing the love of inordinate drinking may be, like other bad habits, men seldom get into it at once. There is a gradation in the vice”

Como já observava Thomas Trotter em 1804, a dependência química se instala sorrateiramente, e o usuário não imagina que possa estar desenvolvendo problemas. Trotter também esboça a precisa noção de que há uma gradação: não é mais correto pensar que só quem é dependente pode apresentar problemas com o uso de substâncias, e que, mesmo entre estes, há casos leves, moderados e graves (como ocorre na Hipertensão ou no Diabetes).

Os médicos não estão imunes a desenvolver dependência química – como não estão aliviados de nenhum outro transtorno. De fato, passam por risco relevante relacionado, hipoteticamente, com o estresse profissional, a queda do tabu em relação a seringas e injeções, a disponibilidade facilitada a drogas controladas. Em certos casos, há um risco considerável à população geral, levando a ponderações quanto à sua capacidade de exercício profissional. Em muitos casos, dado o fato de que algumas das substâncias são desviadas do próprio local de trabalho, pode ser indicado o afastamento destes do exercício da medicina, o que, preferencialmente, deve ser temporário. Tal afastamento visa a proteção de ambos: médico e público.

De modo geral, os estudos mostram que os profissionais de saúde apresentam taxas similares (8-14%) de dependência e uso nocivo às da população geral. A dependência, caracteristicamente, leva à negação e ao isolamento, o que torna a procura pelo tratamento mais difícil. Soma-se a isto o fato de que a cultura médica enaltece qualidades como independência, eficiência e competitividade. Outro fator é a visão que os médicos têm da dependência química, aliada à pouca formação específica no assunto, levando a um senso comum de intratabilidade e desesperança. Teme-se o estigma da dependência, a falta de confidencialidade, a perda da reputação e o desemprego.

A detecção é feita com atraso pois há poucos controles formais. Grande parte trabalha de forma independente, com uma postura geralmente controladora, falsa sensação de que “podem cuidar de si mesmos e que sabem o que estão fazendo”. Há uma “conspiração do silêncio”, ou seja, tanto familiares, pacientes quanto colegas tendem a negar ou não abordar o problema, temendo as conseqüências.

A identificação do problema, deste modo, é feita de forma abrupta e tardia: por exemplo, após sair de um centro cirúrgico por uma intoxicação severa ou tremores na abstinência do álcool, ou ao ser flagrado desviando drogas anestésicas. Providenciar tratamento para os médicos também não é tarefa fácil: os médicos têm dificuldade em aceitar o papel de paciente.

Quando em tratamento, no entanto, o prognóstico é inclusive melhor que o da população geral. Muitos estudos mostram taxas de 80 a 90% de sucesso. Segundo editorial da British Medical Association em 1998, é necessário um serviço especial para médicos com transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas. Três componentes são essenciais para o funcionamento destes serviços (e é o que temos buscado no funcionamento da Rede de Apoio aos Médicos): em primeiro lugar, a entrada no tratamento deve ser simples e descomplicada, assim como bem publicada pelos jornais dos Conselhos Regionais de Medicina. Segundo, o cuidado é mais bem exercido por outros médicos e em ambientes em que não haja contato com a população geral: um médico pode ter dificuldade de comentar sobre os atos cometidos no exercício da profissão. Em terceiro lugar, deve ser oferecido um suporte em longo prazo, com monitoração e supervisão, visando a prevenção de recaídas e manutenção da abstinência.

Nos Estados Unidos, alguns serviços para tratamento dos médicos dependentes recomendam que estes sejam abordados, confrontados quando necessário, recebam tratamento e monitoramento adequado. A maioria dos médicos recupera-se e retorna ao trabalho sob supervisão.

* Hamer Nastasy Palhares Alves é médico psiquiatra da Uniad - EPM/Unifesp

Como funciona a Rede de Apoio
A Rede de Apoio aos Médicos é constituída de profissionais alocados nas diferentes regiões do Estado de São Paulo. Os profissionais selecionados possuem treinamento em Dependência Química.

Os procedimentos a serem realizados e medidas a serem tomadas quando da detecção de médico dependente químico são discutidos, conforme a demanda, junto à Consultoria Jurídica do Cremesp.

É missão da Rede de Apoio:

- Facilitar o acesso ao tratamento aos médicos com problemas relacionados a substâncias psicoativas;
- Supervisionar o atendimento dado à clientela, sendo que, periodicamente, todos os pacientes recebem uma chamada telefônica para acompanhamento do tratamento;
- Oferecer suporte e orientações aos familiares e amigos dos médicos.

Com quatro meses de funcionamento, recebemos solicitação para atendimentos de mais de 70 médicos e neste mesmo período houve 10 casos de procura por médicos de outros Estados. Os coordenadores da Rede têm proferido várias palestras e a idéia atual é realizá-las mensalmente, nos hospitais-escolas, a partir do próximo ano. Além disso, outros Conselhos Regionais de Medicina estão interessados no projeto.

Também estamos realizando uma pesquisa para fornecer melhores dados estatísticos, sócio-demográficos e aferir a eficiência de nosso serviço. Por fim, gostaríamos de colocar o serviço à inteira disposição dos médicos familiares e colegas para solicitações, críticas e comentários.

Telefone para Contato (Hotline): (0xx11) 9616-8926
E-mail:
apoiomedico@psiquiatria.epm.br
Responsável: Ronaldo Ramos Laranjeira
Professor do Departamento de Psiquiatria – Uniad – EPM/Unifesp

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