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CAPA

EDITORIAL (JC pág. 2)
Lei dos Conselhos: em 50 anos de existência, as normas que regem os CRMs e o CFM somente foram alteradas em 2004, em pontos limitados...


ENTREVISTA (JC pág. 3)
José Osmar Medina Pestana, diretor do Hospital do Rim e Hipertensão, é o convidado desta edição


ATIVIDADES 1 (JC pág, 4)
Interior do Estado integra o programa de educação médica continuada do Cremesp


CAPES (JC pág. 5)
Acompanhe um passo-a-passo para acessar o acervo de periódicos do portal Medicina em Evidência/Capes


ENSINO MÉDICO (JC pág. 6)
A crise no curso de Medicina da Universidade Santo Amaro provoca a demissão de cerca de 50 professores e preceptores


FISCALIZAÇÃO (JC pág.7)
Acompanhe um resumo dos procedimentos realizados pelo Departamento de Fiscalização do Cremesp em 2008


ESPECIAL (JC pág. 8 e 9)
Dando continuidade às reportagens sobre o sistema público de saúde, esta edição avalia o funcionamento da Atenção Básica no SUS


ÉTICA & JUSTIÇA (JC pág. 10)
Desiré Callegari, coordenador do Departamento Jurídico do Cremesp, analisa a interdição cautelar do exercício profissional


GERAL 1 (JC pág. 11)
Políticas irregulares das seguradoras: Cremesp colabora na investigação realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito


GERAL 2 (JC pág. 12)
Notificação a reações adversas foi o tema central do encontro entre Cremesp e Centro de Vigilância Sanitária, regional São Paulo


GERAL 3 (JC pág. 13)
Temas em destaque na Coluna dos Conselheiros do CFM: Trotes Violentos e Cirurgia Plástica


ALERTA ÉTICO (JC pág. 14)
Esclareça suas dúvidas sobre o estado da morte no canal especialmente preparado pelo Centro de Bioética do Cremesp


GERAL 4 (JC pág. 15)
Ranking de "melhores médicos": publicações ferem a ética médica e caracterizam publicidade indevida


HISTÓRIA (JC pág, 16)
Complexo Hospitalar Juqueri: um dos símbolos do surgimento da psiquiatria no Brasil


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Edição 257 - 03/2009

ENTREVISTA (JC pág. 3)

José Osmar Medina Pestana, diretor do Hospital do Rim e Hipertensão, é o convidado desta edição


“70% das famílias autorizam o transplante, mas médicos notificam apenas um em cada seis potenciais doadores”



A necessidade de um maior comprometimento dos profissionais que estão cuidando dos pacientes com o diagnóstico em casos de morte encefálica, para que a notificação seja precoce, e a excelência do programa brasileiro de transplantes foram alguns dos temas abordados pelo diretor do Hospital do Rim e Hipertensão, o nefrologista José Osmar Medina Pestana, em entrevista ao Jornal do Cremesp. O estabelecimento realiza, há 10 anos consecutivos, o maior número de transplantes renais no mundo, além de ser considerado o melhor hospital do SUS em São Paulo, segundo recente pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde. Com doutorado pela Universidade Federal de São Paulo e pós-doutorado pela Universidade de Oxford, Medina também é professor titular da Unifesp e já presidiu a Sociedade Latino Americana de Transplantes. Confira a entrevista, na íntegra:


Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Nefro¬logia, 120 mil brasileiros necessitam fazer diálise, mas só 90 mil são submetidos ao procedimento. Por que isso acontece?
É preciso entender que a diálise é um procedimento de alto custo e que não está disponível de maneira uniforme em todas as cidades. Ela está concentrada em polos que possuem condições de realizar procedimentos caros, com o suporte de outras especialidades. Como o país tem uma grande extensão territorial, em lugares onde a população é mais esparsa, como em alguns estados do Norte e Nordeste, não há diálise disponível para todos os pacientes, que têm de se deslocar para lugares distantes para realizá-la. Entretanto, se considerarmos os recursos que o Brasil possui para o setor, fazer diálise em cerca de 70 mil a 80 mil pacientes mostra uma grande eficiência do sistema público de saúde brasileiro.

O Hospital do Rim é tido como o maior transplantador do mundo na especialidade. Como avalia as políticas públicas de saúde para o tratamento de doenças renais?
O Hospital do Rim é referência nacional no atendimento de pacientes portadores de doenças renais, principalmente na área de transplantes. Somos muito vinculados à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e fazemos parte do Sistema Público de Assistência, sendo que 70% dos pacientes transplantados aqui são do Estado de São Paulo. O Sistema Nacional de Transplantes, sediado em Brasília, é responsável por todos os Programas Estaduais de Transplantes. Cada Secretaria de Estado da Saúde tem uma central de notificação, que coordena tanto a captação do órgão como sua alocação, de maneira justa ao primeiro da fila ou ao mais compatível. Esse processo todo é coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde, supervisionado pelo Ministério Público e orientado pelo Sistema Nacional de Transplantes, em Brasília. É um modelo muito bem estruturado, que faz com que o Brasil seja o segundo país do mundo em número de transplantes atualmente.

Faltam campanhas de divulgação para prevenção de doenças renais?
A Sociedade Brasileira de Nefrologia mantém campanha permanente sobre como diagnosticar deficiências de função renal. Mas existem deficiências no nosso sistema que precisam ser aprimoradas gradativamente. As campanhas estão conseguindo alertar a população sobre como fazer o diagnóstico precoce da doença renal e quais as medidas de prevenção da doença. Esta questão se torna mais importante à medida que cresce a expectativa de vida da população brasileira, hoje superior a 70 anos.

Como situa o Brasil no campo das pesquisas em nefrologia?
Ainda é um processo em evolução. O desenvolvimento das pesquisas, tanto em nefrologia como em outras áreas, é crescente. O número de artigos que o Brasil publica em revistas internacionais vem aumentando gradualmente, em função do investimento do Estado na formação de profissionais dentro do país e na sua especialização no exterior.

Existe algum dilema ético em relação a transplantes no Brasil?
O sistema é muito bem estruturado para evitar qualquer tipo de questionamento ético ou legal. Anualmente realizamos cerca de 15 mil transplantes no Brasil, somando córnea a todos os demais órgãos e tecidos. Entre eles, pode ocorrer um ou dois questionamentos por ano. Neste caso, o Ministério Público se envolve e todos os sistemas são implicados para entender o que aconteceu, justificar ou penalizar aquelas pessoas que fizeram o processo de maneira incorreta.
 
Qual a melhor abordagem para incentivar o transplante de órgãos, junto ao médico ou à população?
A principal abordagem é o conhecimento técnico sobre o problema. Conhecer quais são as pessoas cuja condição clínica pode ser beneficiada por um transplante e quais são as que podem ser doadoras. No caso de um doador vivo na família, tão logo o paciente receba o diagnóstico de deficiência renal, ou de que vá precisar de diálise em poucos meses, já temos de procurar identificar, dentro da família, quem pode ser o doador. No caso do transplante com doador falecido, temos de incentivar bastante o médico que está cuidando do paciente – um potencial doador que esteja com morte encefálica – a notificar as centrais na Secretaria Estadual de Saúde para que a doação possa ser concretizada. Hoje, 70 % das famílias autorizam o procedimento, mas apenas um em cada seis potenciais doadores é notificado. Então, se o médico notificar dois, dobramos o número de transplantes.

O que fazer para aumentar o número de notificações?
Poderia ser melhor se tivéssemos um comprometimento maior dos profissionais que estão cuidando dos pacientes com diagnósticos em casos de morte encefálica, para que a notificação seja precoce. Assim, o processo se torna efetivo, considerando que 70% das famílias autorizam a doação. É preciso orientar os profissionais de saúde e dos hospitais, para que, quando se tenha um potencial doador, ele seja notificado para as centrais de captação de órgãos. Todo o processo logístico da doação deve ser divulgado, incluindo legislação, os critérios e os procedimentos que o médico deve seguir quando tem um potencial doador. Isso é importante porque o profissional que está cuidando deste paciente muitas vezes não notifica, por falta de conhecimento da legislação e da logística toda que ela envolve.

O Dia Mundial do Rim é comemorado em 12 de março. Qual a importância da criação dessa data?
É uma data relevante, pois cria a consciência internacional de que o rim também é um órgão importante e deve receber o mesmo cuidado que dispensamos ao coração. Na verdade, as pessoas têm uma preocupação muito grande com o coração e o fígado e acabam deixando o rim em segundo plano. O rim talvez seja o órgão mais afetado do organismo quando você não tem a pressão controlada ou ingere medicamentos em excesso, quando não tem o peso ou diabetes controlados e se não pratica uma atividade física regular, que preserve a circulação.



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