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James Drane: "Quando não há atenção ao sofrimento do paciente não existe compaixão"


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Os convidados deste mês são Michel Lotrowska (economista representante dos Médicos Sem Fronteiras) e Lenir Santos (advogada especializada em Direito Sanitário)


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Violência contra a Mulher


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Edição 185 - 01/2003

UNIVERSIDADE

Violência contra a Mulher


Estudos revelam os efeitos da violência contra a mulher

Duas pesquisas divulgadas no final de 2002 pelo departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo chamam a atenção para a violência contra a mulher.

Um dos estudos, feito em parceria com as organizações não-governamentais Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, de São Paulo, e SOS Corpo – Gênero e Cidadania, de Pernambuco, trata da violência doméstica e foi realizado simultaneamente em oito países, orientado pela Organização Mundial da Saúde. Coordenado pelas médicas Lilia Blima Schraiber e Ana Flávia Pires d’Oliveira, o estudo brasileiro comparou dados da cidade de São Paulo com a região rural de Pernambuco.

Outra pesquisa, também coordenada por Lilia Schraiber, traça um diagnóstico da Violência Doméstica e Sexual entre Usuárias dos Serviços de Saúde na Grande São Paulo. De acordo com a pesquisadora, “para muitas das entrevistadas a pesquisa se revelou como a primeira oportunidade de falar do seu problema. Muitas mulheres alegaram não saber com quem falar. Realizamos um estudo com implicação ética, pois oferecemos assistência e apoio às vítimas”.

Violência no Brasil
Foram visitados 4.299 domicílios na cidade de São Paulo (SP) e na Zona da Mata, em Pernambuco, e entrevistadas 2.645 mulheres, com idade entre 15 e 49 anos. Das conclusões, destaca-se que 29% das mulheres pesquisadas em São Paulo já sofreram algum tipo de violência física ou sexual cometida por parceiro ou ex-parceiro, enquanto na Zona da Mata de Pernambuco esse número salta para 37% das pesquisadas.

A violência física - tapa, empurrão, soco, chute, estrangulamento, queimadura, ameaça com arma branca ou de fogo - foi relatada por 27% das mulheres em São Paulo e 34% na Zona da Mata. Em São Paulo, 10% declararam ter sofrido violência sexual e, em Pernambuco, chegou a 14%.

Dentre as lesões, estão cortes, perfurações, mordidas, contusões, esfolamento, fraturas, dentes quebrados e outros. Dessas, 36% ficaram muito machucadas e necessitaram de assistência médica.

Dores, desconfortos severos, dificuldades de concentração, tonturas, tentativas de suicídio e alcoolismo são problemas mais comuns entre as mulheres vítimas da violência, quando comparadas à população feminina que não sofreu violência.

As crianças entre 5 e 12 anos, filhos de mulheres que sofreram violência, também apresentam mais problemas como pesadelos, timidez, agressividade, atos como chupar o dedo e urinar na cama, repetência e abandono da escola. A violência durante a gravidez, a exemplo de socos e pontapés na barriga, foi relatada por 8% das mulheres pesquisadas em São Paulo e 11% em Pernambuco.

Em São Paulo, 28% das mulheres agredidas fizeram aborto, contra 8% das pernambucanas. Mais de 20% das vítimas, nas duas regiões, nunca relataram a violência a ninguém e, quando o fizeram, procuraram por amigos e familiares. Polícia, hospitais ou centros de saúde, igreja, serviços jurídicos, delegacia de defesa da mulher e justiça são outras instituições procuradas.

Usuárias de serviços de saúde
Entre as usuárias de 19 serviços de saúde na Grande São Paulo, 40% das mais de 3.000 mulheres entrevistadas relataram violência física ou sexual cometida pelo parceiro.

No entanto, dos 1.902 prontuários médicos investigados, apenas quatro apresentavam registros de violência física e dois de violência sexual. Entre as mulheres que já engravidaram, 17% foram agredidas durante a gravidez. Além disso, 20% relatou violência física e/ou sexual cometida por estranhos.

Prontuário deve levantar a questão
Outra pesquisa, da Faculdade de Saúde Pública da USP, realizada com 164 mulheres usuárias do Centro de Referência da Saúde da Mulher do Hospital Pérola Bygton, em São Paulo, reforça a gravidade do problema. “Ao enfrentar parceiros violentos, muitas mulheres têm tido como único serviço disponível o registro da ocorrência nas Delegacias de Mulheres sendo que, muitas vezes, o que elas necessitam naquele momento é ser amparadas na sua dor”, diz Dinalva Menezes Castro Tavares, autora da pesquisa.

Ela afirma que a violência doméstica adquire visibilidade maior nos serviços de saúde, principalmente nas unidades de emergência. “Para muitas mulheres esta pode ser a única oportunidade de estar diante de um profissional de saúde”, diz. Uma das conclusões é que o SUS – Sistema Único de Saúde – deve incluir no prontuário a pergunta se a mulher sofreu violência doméstica, o que poderia contribuir para identificar o problema.

Preocupação mundial
De acordo com informe divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em novembro de 2002 quase metade das mulheres que morrem por homicídio no mundo são assassinadas por seus maridos ou ex-parceiros. A violência causa aproximadamente 7% dos problemas de saúde das mulheres entre 15 e 44 anos. Além de destruir centenas de milhares de vidas, a violência contra a mulher causa lesões físicas, dores crônicas, depressão, comportamentos suicidas e dificuldades em obter ou permanecer no emprego.

Em alguns países, sobretudo os pobres e em desenvolvimento, chega a 70% o número de mulheres vítimas de agressões físicas e em 47% as mulheres que tiveram iniciação sexual forçada.

O risco de um homem agredir fisicamente a mulher está relacionado com a pobreza, a educação precária, a delinqüência e o consumo excessivo de álcool, dentre outros fatores. As mulheres são mais vulneráveis nas sociedades onde há grandes desigualdades entre homens e mulheres. A OMS conclui que a violência contra a mulher é um problema de saúde pública e os serviços de saúde devem trabalhar em conjunto com a polícia, a justiça e a área de educação.

Em março de 2003 a OMS irá publicar diretrizes para fortalecer os serviços de atendimento às vítimas de violência doméstica e sexual.

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