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Edição 185 - 01/2003

ATUALIZAÇÃO

Câncer colorretal: a prevenção é sempre a melhor solução


Câncer colorretal: a prevenção é sempre a melhor solução

Angelita Habr-Gama*

Os dados epidemiológicos disponíveis permitem configurar o câncer como problema de saúde pública no Brasil. Além da mudança de hábitos de vida da população, fatores como o aumento da expectativa de vida, a industrialização e urbanização e os avanços tecnológicos na área de saúde, também estão relacionados com o desenvolvimento do câncer. O aumento da mortalidade proporcional por câncer não se deve necessariamente ao aumento real da doença. Deve-se, principalmente, ao controle progressivo de outras doenças e ao progresso tecnológico observado na medicina nas últimas décadas, fato que tem proporcionado maior acuidade diagnóstica para o câncer (INCA, 2001).

O câncer colorretal (CCR) constitui problema de saúde em todo o mundo, com cerca de 950.000 casos novos ocorridos em 1996, o que representa cerca de 9% de todos os cânceres. É a terceira causa de morte no mundo, sendo a segunda nos EUA e a quinta no Brasil. A incidência no Brasil é estimada ao redor de 7-18 /100.000 homens e 5-14 /100.000 mulheres no ano 2000. A maior incidência é na região Sudeste, representando o segundo lugar dentre todas as neoplasias, seguindo-se a do câncer de mama. São Paulo tem a maior incidência estimada em 18 /100.000 casos (INCA).

Apesar dessa enorme incidência e do alto investimento em pesquisas sobre o CCR durante os últimos anos, o impacto sobre os índices de mortalidade foi muito pequeno, permanecendo a média de sobrevida de cinco anos ao redor de 50%. O câncer colorretal, com freqüência, produz sintomas pouco perceptíveis aos doentes até que a doença esteja em fase avançada. Quando o câncer colorretal é detectado em fase assintomática, o índice de sobrevida de cinco anos alcança 90%. A grande maioria dos tumores começa como adenomas benignos e por sua ressecção uma alta porcentagem de cânceres pode ser prevenida.

Esta afirmativa já foi provada através de estudos bem conduzidos que demonstraram que a ressecção de adenomas reduz a mortalidade por CCR. Infere-se, portanto, que este câncer preenche todos os critérios para campanhas de conscientização médica e populacional, para rastreamento em indivíduos assintomáticos, caracterizados como população de risco para CCR, e para diagnóstico precoce nos indivíduos sintomáticos.

Por rastreamento, entende-se a aplicação de provas de fácil execução para uma massa populacional assintomática, com o objetivo de selecionar indivíduos os quais, ainda que assintomáticos, devem submeter-se aos métodos mais específicos e de maior complexidade para detecção de câncer. Os programas de rastreamento devem ser bem definidos e incluir os indivíduos mais susceptíveis de ter CCR, ou seja, aqueles nos quais o risco de desenvolvimento do câncer justifica sua inclusão num programa de estudo, mesmo na ausência de sintomas.

Cerca de 75% dos casos novos de CCR ocorrem em pessoas sem fatores predisponentes reconhecidos. A incidência aumenta a partir dos 40 anos. Nesta idade, os indivíduos são considerados com risco médio para CCR e este risco dobra a cada década. Os casos restantes ocorrem em indivíduos com história familiar conhecida da doença, de adenomas ou de tumores colorretais prévios, bem como de doenças inflamatórias de longa duração. Estes indivíduos são considerados como de alto risco e o conjunto de medidas empregadas para prevenção ou detecção precoce de câncer é definido como vigilância. A maior problemática dos programas de vigilância e, sobretudo, dos de rastreamento, é o aspecto econômico. Devido à variação de custo e de sensibilidade dos diversos métodos disponíveis é necessário considerar a relação custo/benefício.

O método mais comumente empregado para rastreamento é ainda a pesquisa do sangue oculto nas fezes, realizado por diferentes técnicas. Este teste é apenas justificável em estudos populacionais controlados com repetição anual para reduzir ao mínimo o problema dos falsos negativos. O método realmente confiável para a detecção de pólipos é a colonoscopia; entretanto, o alto custo do exame limita sua indicação para método de rastreamento. Deve ser indicado para os doentes de maior risco, bem como para aqueles de baixo risco que tiverem resultados positivos com métodos de rastreamento mais econômicos como toque retal, retossigmoidoscopia rígida ou flexível, e teste de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

Em 1999, o Congresso Nacional dos Estados Unidos designou oficialmente março como o mês da conscientização do câncer colorretal. Este ato foi o resultado de intenso trabalho de muitas organizações com interesse comum na prevenção do CCR. A publicidade associada a esta campanha aumentou consideravelmente a solicitação do povo americano para rastreamento desta neoplasia.

O Cancer Research Foundation of América reportou recentemente como se encontra a consciência pública em relação ao câncer colorretal, no que se refere a sua gravidade, prevalência, sensibilidade e tratamento. Foi realizada pesquisa através de 1.104 entrevistas por telefone e concluiu-se que a população dos Estados Unidos, apesar de tudo, permanece desinformada. No Curso de Atualização em Gastroenterologia (Gastrão) realizado em São Paulo, em julho de 2001, foi convidada a dra. Ernestine Hambrick, presidente da Fundação Stop/Cancer, entidade sem fins lucrativos criada em 1997 para prevenção do câncer colorretal nos EUA. Proferiu palestra sobre a importância da campanha para conscientização médica e populacional sobre o câncer colorretal.

Iniciamos, a partir de então, reuniões mensais que têm sido realizadas no Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, com o objetivo de traçar metas para uma campanha semelhante a dos EUA aqui no Brasil. Recebemos apoio do Inca e das sociedades médicas: Sociedade Brasileira de Coloproctologia, Associação Médica Brasileira, Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Sociedade Brasileira de Cancerologia e Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn, além do Ministério de Saúde.

A campanha, que seguramente terá importante repercussão no país, já produziu um folheto explicativo que está sendo distribuído aos colegas que atendem especialidades ligadas à Gastroenterologia.

* Professora titular de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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