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Jamil Haddad, diretor geral do Instituto Nacional do Câncer


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MOBILIZAÇÃO
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Edição 189 - 05/2003

ENTREVISTA

Jamil Haddad, diretor geral do Instituto Nacional do Câncer


“Uma das medidas mais eficazes no combate ao câncer de pulmão é o aumento do preço do cigarro”

Jamil Haddad

Para o ortopedista Jamil Haddad, 77 anos, diretor geral do Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, uma das medidas mais eficazes no combate ao câncer de pulmão – tipo de neoplasia maligna com maior incidência em todo o mundo e a principal causa de morte por câncer – é o aumento do preço do cigarro. “Assim, conseguiremos a redução no consumo e a revitalização do fundo existente, isto é, a renda arrecadada sobre o valor de cada maço vendido deverá ser redirecionada para o tratamento, prevenção e pesquisa da doença”. Ex-deputado, ex-senador e ex-ministro da Saúde do governo Itamar Franco, Haddad falou ao Jornal do Cremesp sobre outros fatos e números da doença.

Jornal do Cremesp. Como o senhor avalia a questão do câncer no Brasil, atualmente a segunda causa de óbitos?
Jamil Haddad.
Diversos fatores contribuem para o crescimento do câncer, entre eles o envelhecimento da população, decorrente das ações de saúde e da evolução da Medicina. Conseqüentemente a doença passa a vitimar mais, à medida em que a longevidade é aumentada: no nosso país, se a expectativa de vida era de 55 anos em 1960, passará para 72 anos, em 2010. Veja: também em países como os Estados Unidos o câncer é a segunda causa de morte. Não existe sociedade sem câncer. Os tipos de câncer mudam, de acordo com o estágio socioeconômico do país. Mas é bom lembrar que muitos podem ser evitados pela conscientização, como por exemplo, sobre os males causados pelo tabagismo. O diagnóstico precoce e a prevenção estão, portanto, entre os nossos grandes desafios.

JC. Como o Inca pretende atuar na prevenção primária do câncer, na terapêutica e na reabilitação?
Haddad.
O Instituto atua em cinco áreas estratégicas: prevenção, assistência médico-hospitalar, pesquisa, formação e atualização de recursos humanos e informação epidemiológica. Para melhorar o acesso da população a informações sobre câncer, o Inca firmou parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, que vai incluir no Programa Saúde da Família dados sobre prevenção dos fatores de risco e, sobretudo, da importância da detecção precoce. Um projeto-piloto fará com que famílias recebam acompanhamento de equipes multiprofissionais e agentes de saúde.

Na área assistencial, a idéia é estimular uma nova mentalidade, que induza as pessoas a procurarem os Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), de modo a aliviar nossa atual demanda por atendimento. Isto porque, desde 1995, o Inca vem atuando no limite de sua capacidade de recursos materiais e humanos. Com relação à reabilitação, o Instituto possui um serviço voltado à reintegração dos doentes à família e ao trabalho. Já o Serviço de Integração Humana Edjane Faria de Amorim oferece recondicionamento físico a mulheres mastectomizadas e outros serviços de apoio como reabilitação motora, estética e tratamento para distúrbios emocionais.

JC. Os Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) serão expandidos para todo o Brasil? Haddad. Acreditamos que a descentralização e a expansão nessa área são medidas muito importantes e, por isso, estamos dando continuidade ao Projeto de Expansão da Assistência Oncológica (Expande). Exemplo: no dia 8 de maio, um protocolo de cooperação com o governo estadual para a implantação de um Cacon foi assinado pelo Ministério da Saúde e o Inca em Rio Branco (AC), na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo centro funcionará na Fundação Estadual do Acre e beneficiará uma população de cerca de 560 mil habitantes.

JC. O controle do tabagismo teve algumas vitórias nos últimos anos. Que instrumentos vêm sendo utilizados nessa área e quais são os números atuais do câncer de pulmão?
Haddad.
É necessário avançar nas medidas já adotadas, utilizando o aumento de preços do cigarro. Assim, conseguiremos a redução no consumo e a revitalização do fundo existente, isto é, a renda arrecadada sobre o valor de cada maço vendido deverá ser redirecionada para o tratamento, prevenção e pesquisa de vários tipos de neoplasias.

O câncer de pulmão se constitui no tipo de tumor com maior incidência em todo o mundo (12,3%) e na principal causa de morte por câncer. O crescimento das taxas de mortalidade por essa doença é acentuado (de acordo com recentes estimativas do Inca, em 2003 deverão ser registrados cerca de 22.000 novos casos e 16.230 óbitos), sendo mais marcante nas mulheres.

Das neoplasias que deverão causar mais vítimas até o fim do ano, 30% têm o tabagismo como causa principal ou importante fator de risco. Além de câncer de pulmão, incluem-se aqui outros tipos que acometem mama, colo de útero e esôfago, entre outros.

Mas há uma boa notícia: a análise da série histórica de mortalidade demonstra, a partir de 1996, uma tendência de estabilidade nas taxas de morte por câncer de pulmão, entre os homens. Ainda é cedo para comemorarmos uma queda efetiva, mas esta estabilidade indica os primeiros efeitos da conscientização da população, promovida em grande parte pela imprensa, e das severas medidas de controle de propaganda e restrição ao fumo em locais fechados, aprovadas nos últimos anos pelo Congresso Nacional.

JC. Esta tendência positiva não é acompanhada pelo contingente feminino. Por que isso acontece?
Haddad.
Nas mulheres, a curva ainda está em crescimento – embora as taxas de mortalidade sejam muito menores, em comparação aos homens. A posição do câncer de pulmão como segunda causa de morte por câncer em mulheres (4.915 óbitos previstos) reflete o aumento de consumo de cigarros, especialmente a partir da década de 60, quando elas adotaram hábitos tidos como masculinos. Somando-se a tudo isso, o tabagismo – além da obesidade, do consumo regular de álcool, da gravidez ou menopausa tardia, entre outras – é fator de risco para o câncer de mama, a primeira causa de morte em mulheres.

JC. Exclusivamente na prevenção do tabagismo, o que atualmente vem sendo implementado e o que falta?
Haddad.
Para conscientizar as pessoas dos efeitos nocivos do tabagismo, uma das providências foi a criação do Programa Nacional de Controle ao Tabagismo, coordenado pelo Inca desde 1989.

O programa foi estruturado para sistematizar ações educativas e mobilizar políticas e iniciativas legislativas e econômicas, criando um contexto social que reduza a aceitação social do tabagismo. Houve também a diminuição aos estímulos sociais para iniciação do hábito pelos jovens e o acesso deste público aos produtos derivados de tabaco. Pretendemos ainda reforçar iniciativas que protejam a população dos riscos do tabagismo passivo.

O estudo Inquérito Domiciliar sobre Comportamento de Risco e Morbidade Referida de Agravos Não-Transmissíveis, que vem sendo coordenado pelo Inca e financiado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), contando ainda com parceria do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) e outros órgãos do Ministério da Saúde, propiciará um quadro ainda mais abrangente do impacto obtido pelo Programa Nacional de Controle ao Tabagismo. Iniciada em julho de 2002, essa pesquisa deverá ser finalizada em junho de 2004 e pretende envolver 55 mil pessoas com 15 anos ou mais, em 19 mil residências nas 26 capitais estaduais e no Distrito Federal.

Além destas, também foram verificadas outras iniciativas fundamentais. Em 2002, foi assinada uma portaria que inplantou o tratamento contra o fumo nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Serão capacitadas para oferecer atendimento gratuito a fumantes, por meio da implantação de Centros de Referência em Abordagem e Tratamento de Fumantes. A terapia inclui a utilização de medicamentos como goma de mascar e adesivo de nicotina, além de remédios à base de bupropiona.


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