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CAPA

EDITORIAL (pág.2)
Renato Azevedo Júnior - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág.3)
Thomas Maack


ATOS PÚBLICOS (pág.4)
Médicos realizam manifestações no centro da capital paulista


MAIS MÉDICOS (pág.5)
Relação de trabalho dos médicos cubanos é questionada pelo MP


ENEM EXTRAORDINÁRIO (pág.6)
Encontro discute medidas do governo


ATO MÉDICO (pág.7)
Vetos de Dilma Rousseff à Lei 12.842/2013


ELEIÇÃO CREMESP (pág.8)
Processo eleitoral dá vitória à Unidade Médica


ELEIÇÃO CREMESP (pág.10)
Valorização profissional na saúde pública e privada


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág.11)
IV Congresso de Acadêmicos


COLUNA DOS CONSELHEIROS DO CFM (pág.12)
Artigos dos representantes de SP no Federal


PEMC (pág.13)
Reuniões podem ser acompanhadas por videoconferência


BIOÉTICA (pág.15)
Ministério da Saúde & Transexualismo


EXAME DO CREMESP (pág.16)
Inscrições para a nova edição abrem em setembro


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Edição 306 - 08/2013

ENTREVISTA (pág.3)

Thomas Maack


“É criminoso abrir escolas sem docentes qualificados”


“Defendo o currículo que não separa as ciências biomédicas básicas das clínicas, como duas entidades à parte”



A verticalização do currículo das escolas de Medicina, com disciplinas básicas e clínicas desde os primeiros anos de curso, e a criação de um curso superior antes do ingresso na faculdade de Medicina, são defendidas pelo médico e professor Thomas Maack. Nascido na Alemanha, chegou com poucos meses de vida ao Brasil. Sua carreira profissional como professor da Faculdade de Medicina da USP foi interrompida no País pela ditadura militar, mas ele seguiu lecionando nas universidades de Siracusa e, depois, de Cornell, ambas em Nova York (Estados Unidos). Dedicou-se ao ensino e às pesquisas na área de Fisiologia. Apoiou e assessorou reformas curriculares em cursos de Medicina em algumas escolas, como a Cornell e a Unicamp. Nesta entrevista ao Jornal do Cremesp, ele analisa perspectivas para o ensino médico.



Quais são as principais diferenças que encontra entre o ensino praticado na Universidade de Cornell, onde leciona, e no Brasil?
As faculdades que conheço em São Paulo – como a da USP, a Escola Paulista de Medicina e a Unicamp – em nada devem às estrangeiras. As principais diferenças em relação às escolas americanas estão na qualidade da formação do aluno do ensino médio e no apoio à carreira de docente e possibilidade de dedicação integral. Como conse­quên­cia, os Estados Unidos têm um número maior de profissionais que se dedicam exclusivamente à docência em Medicina que o Brasil. O curso médico nos Estados Unidos dura apenas quatro anos. E a minha opinião, bastante impopular, é que não precisaria de quatro anos de college (pré-universitário), dois anos já bastariam. Com isso, aumentaríamos a escola médica de quatro para seis anos. No Brasil, acho que deveria ser instituído um curso universitário pré-profissional de dois anos antes da Medicina.

Como seria?
Deveria ser um curso universitário, depois do ensino médio, equivalente ao college nos Estados Unidos, em que os jovens aprenderiam noções básicas de Medicina, como biologia, genética, física e humanidades. Ele serviria de pré-requisito para se fazer Medicina. Vejo que, na Universidade de Cornell, onde leciono, os alunos são mais bem preparados e podem direcionar melhor o ensino de ciências básicas para Medicina porque já têm uma base sólida.

O ensino da Medicina deveria ser mais vertica­lizado, com disciplinas clínicas já nos primeiros anos de curso?
Acredito que existe uma falta de conexão entre conhecimento formal e o aprendizado prático. Então, defendo o currículo verticalizado, que é uma minimização da diferença conceitual e temporal entre o ensino básico e o clínico. É a abolição dos currículos tradicionais que separam as ciências bio­mé­dicas básicas das clínicas, como duas entidades à parte. Justamente o que impede essa verticalização no ensino brasileiro é a formação científica insuficiente do aluno no curso médio, daí a necessidade de um curso pré-universitário. O que seria factível no Brasil seria fazer isso em partes. Se a escola quiser integrar-se verticalmente, aos poucos, pode começar pelas ciências básicas ligadas à função cardíaca (Cardiologia). Em Cornell, nós vertica­li­za­mos há dez anos a Neu­rociência, Psiquiatria e Neurologia no curso Cérebro e Mente, mas ainda não dá para avaliar os reflexos dessa mudança.

Para isso, precisaríamos de uma reforma no ensino, em geral, no Brasil?
Um dos problemas da não integração vertical no Brasil é que o professor de cadeira básica, essencialmente, tem que suprir primeiro a deficiência científica do aluno que veio do  ensino médio. Os professores gastam muito tempo numa atividade de preparação ao invés de formação, enquanto o  curso universitário pré-profissional, além de outras vantagens, corrigiria isso. Existe pelo menos um empecilho para essa implantação aqui. Na maioria das universidades, há uma separação física, conceitual e administrativa entre as instituições de ciências básicas e a escola de Medicina. Mas o ensino pré-profissional permitiria o amadurecimento pessoal do estudante, uma experiência mais diversificada e profunda. E reduziria a sobrecarga em atividades formais do ensino, que impossibilita o treino da autoaprendi­zagem, entre outras coisas.

Em sua palestra na Uni­fesp, em julho, o doutor apontou que o aluno de Medicina deve ter “áreas verdes” em seu calendário de aulas, referindo-se a horas vagas da escola. Como isso  beneficiaria o aprendizado?
É difícil que os próprios alunos se automonitorem, mas o ideal é que eles tenham esse tempo para o autoaprendizado. E o desempenho deles deve ser testado com frequência. As “áreas verdes” também são importantes para que o estudante possa escolher outras atividades eletivas da Medicina a que possa se dedicar, como uma clínica comunitária, por exemplo.

O doutor considera a formação de docentes no Brasil improdutiva. Por quê?
O doutorado é feito, geralmente, de forma tardia na carreira, quando o médico já tem responsabilidades profissionais e pessoais definidas. Dedicar-se à pesquisa e aos cursos de doutorado fica muito mais difícil, e o resultado é que, muitas vezes, esse período se estende por anos. Com o programa combinado, em que a graduação é feita praticamente ao mesmo tempo que o doutorado, isso poderia ser mudado.

O Brasil não forma docentes de Medicina em número suficiente. Mas, por outro lado, o governo federal, entre outras medidas do programa Mais Médicos para o Brasil, pretende abrir mais vagas e escolas de Medicina. O que acha disso?
É quase criminoso abrir escolas médicas sem docentes capacitados. Estaremos formando profissionais incompetentes. E ter médicos incompetentes pode ser pior que a ausência deles. Não sou contrário à vinda de médicos estrangeiros, mas acho que todos, inclusive os brasileiros, deve­riam fazer um exame de competência no Brasil.

 


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