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EDITORIAL (pg. 2)
João Ladislau Rosa - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pg. 3)
Miguel Srougi


POSSE (pg.4)
COSEMS e Ministério da Saúde


ESCOLAS MÉDICAS (pg. 5)
Instituições de ensino na mira do MEC


MAIS MÉDICOS (pg.6)
Fiscalização na Atenção Básica de Saúde


CARREIRA DE ESTADO (pg. 7)
Projeto é avaliado na ALESP


ENSINO MÉDICO (pgs 8-9-10)
Resultados continuam preocupantes


AGENDA (pg.11)
Cremesp marca presença em eventos relevantes para a classe


CFM (pg.12)
Artigos dos representantes de SP no Federal


JOVENS MÉDICOS (pg.13)
Novo canal de comunicação e informação para os médicos jovens


BIOÉTICA (pg. 16)
Maior interação com os médicos


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Edição 311 - 01-02/2014

ENSINO MÉDICO (pgs 8-9-10)

Resultados continuam preocupantes


Reprovação no Exame do Cremesp chega a 60% entre recém-formados em Medicina

 

Três a cada cinco participantes não alcançaram a nota mínima. Exame teve número recorde de inscritos, com a participação de mais de 2.800 egressos de escolas médicas
 


Coletiva de imprensa em que foram anunciados os resultados do Exame

 

Dos 2.843 recém-formados em escolas médicas do Estado de São Paulo que participaram do Exame do Cremesp em 2013, um total de 1.684 – ou 59,2% deles – não atingiu o critério mínimo, ou seja, acertaram menos de 60% do conteúdo da prova. Esses resultados foram apresentados pelo Conselho, no dia 22 de janeiro, durante coletiva de imprensa, que contou com a presença do presidente da entidade, João Ladislau Rosa, e dos coordenadores do exame, o primeiro-secretário, Bráulio Luna Filho, e o diretor do Centro de Bioética, Reinaldo Ayer.

Para o presidente do Cremesp, somente um exa­me nacional poderia habilitar o médico recém-graduado para o pleno exercício profissional. “Nes­ses dois anos de exame obrigatório, quase a totalidade de alunos participaram, e os resultados vêm mostrando alto índice de reprovação. O Exame do Cremesp é muito semelhante ao Revalida –  realizado pelo Ministério da Saúde –, cujo índice de reprovação também é alto. A conclusão é que existem problemas tanto na formação do médico no exterior como no Brasil. Por isso divulgamos amplamente esses resultados para discutir a qualidade das escolas e lutar pela implantação do exame nacional obrigatório para ambos os casos, que habilite o exercício da Medicina no País”, afirma Ladislau.
 



Composição da prova abrangeu nove campos da Medicina

A prova foi composta por 120 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas de respostas. Os participantes tiveram quatro horas para realizá-la. A avaliação abrangeu as principais áreas da Medicina: Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Pública, Epidemiologia, Saúde Mental, Bioética e Ciências Básicas. Para aprovação, o candidato deveria responder corretamente a 72 das questões, o que corresponde a um percentual de acertos de 60%. O exame foi aplicado pela Fundação Carlos Chagas, e os critérios e a metodologia foram os mesmos utilizados e validados nos exames anteriores.

Luna Filho ressaltou que o Exame do Cremesp avalia o conhecimento cognitivo e isso é extremamente complexo. Segundo ele, no mundo inteiro se discute a melhor maneira de avaliar os egressos de Medicina, e a conclusão a que se chega é que a prova de múltipla escolha ainda é a melhor opção.

“Nossa prova avalia se existe conhecimento técnico, como o aluno coordena a informação e qual a melhor conduta a ser adotada, com alto grau de correlação ao exame prático, portanto as críticas que recebemos não têm fundamento”, acrescentou.
 



9ª edição tem recorde de inscrições, com crescimento de alunos de outros Estados
 

Com abstenção de apenas 2,8%, o número de participantes em 2013 é o maior ao longo dos nove anos das avaliações feitas pelo Cremesp.

O percentual de reprovados ficou 4,7 pontos acima de 2012. No ano anterior, foram 2.411 participantes, com 54,5% de reprovação (Quadro 1).

A prova foi aplicada no dia 3 de novembro de 2013, em nove cidades paulistas, além da capital do Estado. É o segundo exame realizado depois que se tornou obrigatório para quem deseja inscrever-se no Conselho Regional de Medicina de São Paulo e atuar no Estado. O registro no CRM, entretanto, não depende do desempenho ou da aprovação nas provas.

No total, 3.328 recém-graduados de Medicina fizeram a prova do Cre­mesp em 2013. Desses, 485 participantes vieram de 78 instituições de ensino de outros Estados. Os demais 2.843 formaram-se nas 30 escolas paulistas que já têm turmas graduadas. Como o objetivo da prova é avaliar o ensino médico no Estado de São Paulo, para os principais comparativos e resultados, foram considerados os 2.843 formados nas escolas paulistas.


Quadro 1 - Comparativo de participantes (recém-formadas em Escolas Médicas do Estado de São Paulo) aprovados e reprovados nos Exames de 2012 e 2013

 

 



Formandos erram respostas de situações comuns da Medicina

 

Questões que tiveram baixa proporção de acertos podem revelar a falta de conhecimento dos participantes na solução de eventos frequentes no cotidiano da prática médica. Muitos daqueles que participaram do Exame do Cremesp de 2013 demonstraram desconhecer o diagnóstico ou tratamento adequado de situações comuns e problemas de saúde frequentes, como pneumonia, tuberculose, hipertensão, atendimento em pronto-socorro, dentre outros. A seguir, alguns exemplos de questões com alto índice de erro:

71% erraram qual é o ganho ponderal (em kg); crescimento de perímetro encefálico e de comprimento (ambos em cm) esperados em criança no primeiro e no segundo ano de vida: primeiro ano (7 kg; 12 cm e 25 a 30 cm) e segundo ano (2,5 Kg; 2cm e 10 a 12 cm);
67% erraram, no atendimento a menino de 8 anos, qual é o agente causador de tosse gradualmente progressiva num período de duas semanas: Mycoplasma pneumoniae;
68% erraram o fato de que a bronquiolite tem seu pico de incidência em crianças entre 3 e 6 meses de idade;
67% não souberam afirmar que o grau de redução da pressão arterial é o principal fator determinante na diminuição do risco cardiovascular em paciente hipertenso;
66% erraram, em relação a miomas uterinos, que mulheres afrodescendentes apresentam maior incidência e manifestação clínica mais precoce do que brancas;
64% erraram o sintoma respiratório que define paciente com suspeita de tuberculose: tosse por tempo igual ou superior a três semanas;
57% erraram a conduta mais adequada em caso de homem de 71 anos que procura o pronto-socorro, com instabilidade hemodinâmica, com antecedente de arritmia cardíaca (Fibrilação Atrial) crônica e, ao exame físico, apresenta distensão e dor abdominal, entre outros dados fornecidos na questão da prova. Conduta: laparotomia exploradora;
40% erraram a conduta inicial adequada no caso de adulto que apresenta quadro de pneumonia: iniciar tratamento com ceftriaxona e clindamicina;
35% erraram procedimento necessário em atendimento a jovem motociclista acidentado grave (conforme complicações detalhadas na questão) que deu entrada em hospital de pequeno porte, sem centro cirúrgico: reavaliar rapidamente, transfundir sangue e fazer a transferência.

 



Até 2011 exames eram facultativos, mas desempenho já era ruim


O Exame do Cremesp foi facultativo de 2005 a 2011. Nesse período, participaram das provas, ao todo, 4.821 recém-graduados e 2.250 deles (o equivalente a 46,67%) acertaram menos de 60% das questões e foram reprovados (Quadro 2).

A série de 2005 a 2011 é uma amostra de participantes voluntários, com distribuição irregular entre os cursos de Medicina do Estado, tanto públicos como privados. Obrigatório desde 2012, o Exame passou a ser realizado por todo o universo de recém-formados que deseja se inscrever no Cremesp, o que torna os resultados mais consistentes.
 


Quadro 2 

 


Baixo desempenho em áreas essenciais é preocupante

No Exame de 2013, a média de acertos para o conjunto de áreas de conteúdo foi de 55,5%. As médias mais baixas foram obtidas nos conteúdos de Pediatria, 47,8%, Clínica Mé­dica, 52%, e Clínica Cirúrgica, com 52,1% (Quadro 3).­ As médias mais altas foram nas áreas de Obstetrícia, com 64,8% de acertos, e Bioética, 64,5%. Abaixo de 60% de acertos, o resultado por área é considerado insatisfatório.

Chamou a atenção o baixo percentual de acertos em campos essenciais da Medicina, como Pediatria e Clínica Médica, especialidades que concentram o atendimento a muitos problemas de saúde da população.

 


Quadro 3 - Médias em percentual de acertos, por área de conteúdo, de participantes formados em escolas médicas do Estado de São Paulo

 


 

 

Maioria das questões teve índices fácil e médio

De acordo com os resultados apontados na prova de 2013, o Exame foi avaliado como “fácil” para 33% das questões e “médio” para 37,5% delas. O índice de discriminação foi classificado como “muito bom” para 41,1% das perguntas, e “bom” para 32,1%.

O índice de facilidade equivale à proporção de questões corretas dadas pelo conjunto de egressos em cada pergunta. O índice de discriminação cor­res­ponde ao poder da questão em separar os candidatos que sabem daqueles que não sabem. É dado pela diferença na proporção de acertos entre os dois grupos extremos de desempenho, o superior e o inferior.

“Considerando esses resultados, a prova do Cremesp não pode ser considerada ‘difícil’, apenas exige o conhecimento mínimo que se espera de um recém-formado em Medicina”, avaliou Luna Filho.

 



Escolas privadas registraram o dobro de reprovação


Entre os participantes das escolas paulistas, a reprovação foi maior  (71%) entre os egressos de instituições de ensino privadas. Já entre os participantes formados em escolas médicas públicas, 33,9% foram reprovados. No total, dentre os 2.843 participantes recém-formados em escolas do Estado de São Paulo, 59,2% foram reprovados (Quadro 4).

“As escolas privadas praticamente reprovam o dobro que as públicas. Não há novidade, mas isso vem se mantendo há nove anos e o governo insiste na política de permitir a abertura de novas escolas”, critica Luna Filho. Para ele, as escolas brasileiras avaliam mal seus alunos. “Nes­se segmento, a condição para ser médico é poder pagar uma mensalidade de R$ 4 mil a 6 mil, e as novas escolas contribuem para esse índice desastroso de reprovação”, acrescentou.

Outra forma de avaliar o desempenho, a média de acertos na prova, reforça a distância entre públicas e privadas. Os recém-formados em cursos privados tiveram menor média de acertos, 51,99%, e as públicas 63,17%.

O resultado é semelhante ao Exame de 2012, quando os egressos de cursos privados de Medicina tiveram 54,38% de média de acertos, contra 63,74% daqueles que vieram de escolas públicas. Nos dois anos há exceções, de escolas privadas bem posicionadas e de escolas públicas com piores resultados.

Em 2013, a escola médica com melhor desempenho registrou média de acertos de 69,70% e a com pior desempenho registrou média de acertos de 41,55%.

Somente 9 escolas tiveram média de acerto acima de 60%; 21 escolas paulistas não alcançaram o desempenho mínimo.

Os resultados do Exame do Cremesp podem contribuir para o debate sobre a qualidade do ensino médico, sobretudo neste momento em que o governo federal prevê a abertura de mais 17 cursos de Medicina privados no Estado de São Paulo. (Portaria Federal Nº 730, 10/12/2013).
 



Quadro 4 - Resultado do Exame do Cremesp 2013, segundo natureza das escolas médicas do Estado de São Paulo
 

 



Egressos de outros Estados tiveram 72,2% de reprovação

Também participaram do Exame do Cremesp 485 recém-formados que se graduaram em escolas médicas fora do Estado de São Paulo (Quadro 5). Entre eles, 350 ficaram abaixo do índice mínimo de aprovação. A porcentagem de reprovação foi de 72,2%, contra os 59,2% de não aprovados entre os egressos de escolas paulistas. Os formados fora do Estado são provenientes de 78 cursos de diferentes unidades da federação. A participação desses recém-formados indica a intenção de se inscreverem no Cremesp e, con­se­­­quentemente, atuarem no Estado de São Paulo.

Embora não representativo do universo de todos os formados em Medicina no Brasil, o resultado obtido por esse grupo pode indicar que a situação no conjunto do País é semelhante, ou ainda pior, que aquela encontrada nas escolas paulistas.


Quadro 5 - Participantes recém-formados em Escolas Médicas fora do Estado de São Paulo, aprovados e reprovados no Exame de 2013


 

Registro não está condicionado ao desempenho no exame obrigatório

Pelo segundo ano consecutivo, o Exame do Cre­mesp foi obrigatório. O comprovante de participação na prova é exigido no momento do registro profissional do médico no Cre­mesp. Mas o registro é fornecido a todos, não depende do desempenho ou da aprovação no Exame. O resultado individual, entregue a cada participante, é confidencial. Os inscritos que faltam ao Exame devem apresentar justificativa.

Por força de lei, o Cre­mesp não pode con­di­cio­nar o registro à aprovação em um exame. Isso exigiria uma lei federal. O Cre­mesp defende um Exame nacional obrigatório para os recém-graduados em Medicina, a exemplo do Exame da OAB.
 



Sigilo de nota de aluno e desempenho de escolas será mantido

As notas individuais serão encaminhadas confidencialmente a cada participante. As escolas médicas receberão um relatório pormenorizado de desempenho de seus alunos por área do conhecimento, preservando a identidade dos mesmos. Não é intenção do Cremesp estabelecer ranking público de desempenho das escolas, mas sim fornecer subsídios para o aprimoramento dos cursos avaliados.

 

Cremesp encaminhará relatório a órgãos públicos

Relatórios sobre os resultados do Exame do Cremesp serão encaminhados aos Ministérios da Educação e da Saúde, Conselho Federal de Medicina, Câmara dos Deputados, Senado Federal, Ministério Público e Conselho Nacional de Saúde.

 


Formados em Medicina fizeram prova em novembro de 2013

 

 


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