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CAPA

EDITORIAL (pág. 2)
Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 3)
Tomas Salerno


FORMAÇÃO MÉDICA (pág. 4)
Capacitação à distância


IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISS) (pág. 5)
Regularização de Débitos


INSTITUIÇÕES DE SAÚDE (pág. 6)
Hospital Filantrópico


JUDICIALIZAÇÃO DA SAÚDE (pág. 7)
Núcleo de Apoio Técnico e de Mediação


ESPECIALIDADES (págs. 8 a 9)
Valorização profissional


AUDIÊNCIA PÚBLICA (pág. 10)
Superlotação de hospitais


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág. 11)
Avaliação acadêmica


EU, MÉDICO (pág. 12)
Conexão Brasil-Nepal


JOVENS MÉDICOS (pág. 13)
Residência Médica


SANTAS CASAS (Pág. 14)
Acesso à saúde: Meu direito é um dever do governo


BIOÉTICA (pág. 15)
Ética em pesquisa


GALERIA DE FOTOS



Edição 326 - 06/2015

ENTREVISTA (pág. 3)

Tomas Salerno


  

   Como é ser cirurgião cardíaco nos EUA

   Qualquer falha do médico pode resultar em processo e, se provado, gerar altas indenizações


  No final dos anos 50, a Time Magazine estampava em sua capa um paciente deitado em uma bacia de gelo, para que o corpo fosse esfriado para uma cirurgia cardíaca.


A imagem chamou a atenção do então garoto Tomas Salerno, que decidiu ser cirurgião cardíaco. Nascido em uma família humilde de Cássia (MG), décadas depois ele se tornaria chefe da Divisão de Cirurgia Cardiotorácica, professor de Cirurgia e chefe do Senado da Universidade de Miami (setor que cuida do planejamento e governança corporativa da universidade). Saiu de sua cidade e, após passar dificuldades para manter-se em São Paulo, conseguiu uma bolsa para estudar Ciências e Medicina na McGill University, do Canadá. Depois, trabalhou como médico e professor e migrou para os Estados Unidos, atuando na Universidade de Miami. Ele esteve no Brasil em maio, quando foi homenageado pela Academia Nacional de Medicina, tendo se tornado membro honorário da entidade. Nesta entrevista ao Jornal do Cremesp, ele relata um pouco de sua experiência como médico nos Estados Unidos.


O senhor planejou atuar como médico fora do Brasil?

Sempre quis ser cirurgião cardíaco. Nasci em Cássia, uma cidade pequena de Minas Gerais. Comecei a aprender inglês com exemplares velhos da Time Magazine e discos que chegavam às minhas mãos. Quando vi a imagem do paciente sendo preparado para a cirurgia cardíaca na capa da revista, soube que queria ser cirurgião cardíaco. Quando finalizei o ginásio, fui morar em uma pensão em São Paulo, dava aulas em cursos de inglês e trabalhava em Cubatão. Cheguei a receber uma bolsa para ir aos Estados Unidos e lá fiz um teste para outra bolsa, desta vez da The Leopold Schepp Foundation. Passei e fui estudar Ciências – e, depois, Medicina – na University McGill, no Canadá. A bolsa era insuficiente para me custear por lá e passei a trabalhar como guarda noturno duas vezes por semana.


Há muitos brasileiros atuando nos Estados Unidos?

Há vários atuando lá, co­mo Rodrigo Vianna, cirurgião que realiza transplantes múltiplos de órgãos e diretor do setor de transplante de órgãos sólidos do Miami Transplant Institute. O médico e cirurgião torácico Adib Jatene fez um excelente trabalho no Brasil, com repercussão no Exterior, e deixou vários discípulos. Sempre que posso, promovo os médicos brasileiros. Mas, no Brasil, há excelentes médicos. Talvez o que falte a eles são oportunidades acadêmicas e de Residência Médica adequada.


Como analisa o atual estágio da cirurgia no Brasil?

No passado, a única diferença era técnica, mais avançada nos Estados Uni­dos. Mas hoje, os grandes centros já possuem tudo o que temos no Exterior e há excelentes professores e médicos, de notoriedade internacional, que realizam cirurgias torácicas robóticas com muita excelência. Visitei o Incor e percebi que há até mais possibilidades de trabalho e pesquisa porque o cenário norte-americano é muito burocrático. O cirurgião cardíaco brasileiro deve ter orgulho de sua tradição de compaixão, de pensar no melhor para o paciente e de tratar a todos como iguais. Nos Estados Unidos, a maioria das cirurgias acontece no setor privado. Eu nunca fiz em clínica privada, mas na universidade. Outra diferença é que o cardiologista brasileiro precisa trabalhar em mais de um consultório, por questões financeiras, enquanto lá o professor consegue atuar em uma única universidade, por exemplo.


Como vê a atuação do cirurgião nos Estados Unidos?

É difícil, do ponto de vista legal. Qualquer falha do médico pode resultar em processo e, se provado, gerar altas indenizações. Tudo precisa ser muito bem documentado e é apenas isso que importa para não comprometer o resultado financeiro das clínicas e hospitais.


O que acha do sistema de saúde implantado pelo presidente Barack Obama, que prevê obrigato­riedade do seguro saúde (mesmo com planos mais baratos e de baixa cobertura) e a adoção de regulação mais rígida para as operadoras? (O sistema prevê ainda uma bolsa de seguros para quem não tem um plano pago pelo empregador e de subsídios para a população carente).

Há muitas dificuldades com o sistema, como acontece no Brasil com o sistema público. Com exceção de que a rede de atendimento é estruturada, possui hospitais mais novos e tecnológicos por conta da competitividade. Sempre tive compaixão pelos pacientes de baixa renda e nunca cobrei para operar no Jackson Memorial, hospital público avançado, ligado à Universidade de Miami, onde atuo.  Lá, todos têm direito ao atendimento gratuito em casos de urgência e emergência.


Quais são os problemas mais frequentes?

O sistema está atrelado aos planos particulares, diferente do que acontece com o atendimento universal pelo SUS, no Brasil. Esses planos são muito variados em termos de cobertura e de preço e não custeiam todos os tratamentos. É muito frequente o paciente vir para um tratamento em um hospital e ter o seu tipo de seguro rejeitado. Geralmente porque a apólice dele não prevê a cobertura do tratamento em específico ou porque aquele hospital não o realiza por esse plano. Além dos planos do sistema norte-americano, muitas operadoras, mesmo em seus planos mais caros, não querem custear todos os hospitais ou especialidades. Então, quem pode pagar, opta por planos de seguros privados independentes, com atuação apenas em alguns hospitais conveniados.


Mas ainda existem os programas federais voltados para públicos específicos, como o Medicare (para os contribuintes com mais de 65 anos) e o Medicaid (para famílias de baixa renda). O novo sistema trouxe benefícios à população?

Antes do sistema, o paciente de baixa renda chegava a qualquer hospital e não era atendido. Agora, precisa ter algum seguro para ser atendido em alguns hospitais. Ou seja, para quem não tinha nada, melhorou. Para os hospitais e cirurgiões, piorou, porque o pagamento dos convênios é muito baixo e há o alto custo dos procedimentos. Tudo ficou mais burocrático e controlado, mas acredito que tem a ver com o início do processo. Provavelmente o sistema irá melhorar o acesso à saúde pelos menos favorecidos economicamente. Todos devem ter acesso à saúde.


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