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EDITORIAL (pág. 2)
Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 3)
José Otávio Costa Auler Júnior


RESIDÊNCIA MÉDICA (Pág. 4)
Movimento Nacional de Valorização da Residência Médica


EXAME DO CREMESP (Pág. 5)
11ª Edição


INSTITUIÇÕES DE SAÚDE (pág. 6)
Transplante renal


TRABALHO MÉDICO (Pág. 7)
Carreira Médica


SUS (Págs. 8 e 9)
CPMF


ÓRTESES E PRÓTESES (Pág. 10)
Seminário: A relação entre os médicos e a indústria farmacêutica


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág. 11)
VII Congresso de Bioética de Ribeirão Preto


EU, MÉDICO (pág. 12)
Raymundo Azevedo Neto


JOVENS MÉDICOS (pág. 13)
Ética Médica


CONVOCAÇÕES (pág. 14)
Informações úteis ao profissional de Medicina


BIOÉTICA (pág. 15)
Como proceder na morte encefálica?


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Edição 329 - 09/2015

EU, MÉDICO (pág. 12)

Raymundo Azevedo Neto


Resiliência de mestre

O médico Raymundo Azevedo Neto, que teve poliomielite na infância, usou sua experiência como impulso para a carreira de professor da FMUSP


Azevedo Neto: "acabo aprendendo com os alunos.
Lidar com jovens é motivador"

 

Receber alunos e professores, apoiar projetos, orientar e trocar experiências são alguns dos papéis de Raymundo Soares de Azevedo Neto que, entre diversas funções administrativas e gerenciais na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), leciona na área de Patologia Clínica, para graduandos e pós-graduandos, desde 1989. Aos 57 anos, em sua sala repleta de estantes e livros, o médico transmite os seus conhecimentos.

“Hoje, tenho uma posição que me permite oferecer apoio, em várias ações, tanto técnicas quanto afetivas. Estou sempre conversando com pessoas que buscam alguma orientação. É uma forma de estabelecer reflexões”, diz Azevedo Neto. Ele conta que as pessoas vêm até ele interessadas nesse potencial intercâmbio de experiências.

Mas poderia não ter sido assim. Em 1958, aos 9 meses de idade, o professor foi diagnosticado com po­liomielite (paralisia infantil), em uma epidemia que ocorreu em Uberaba (MG). Toda a rotina da família foi afetada. Em busca de melhores condições de tratamento, eles se mudaram para São Paulo.

Seu pai, Raymundo Machado de Azevedo, era advogado, mas com a mudança, passou a atuar na área de produtos agropecuários, tradição da família – seu avô era fazendeiro – porém, acabou seguindo para a área administrativa.

Primeiro de cinco irmãos, Azevedo Neto foi atendido no Hospital das Clínicas, no então recém-inaugurado Instituto de Ortopedia. Depois disso, fez tratamento fisioterápico, colocação das órteses, que usa nas pernas, e aprendeu a usar as muletas canadenses. “Para uma criança bem pequena, isso é construído naturalmente, não mobiliza grandes esforços. Diferente de uma pessoa que sofre algum acidente”, explica o médico. “É parte de mim, como um caminhar diferente ou um trejeito”, conclui.

Em seu tempo livre, ele escuta música, toca vio­lão e piano. “É gostoso reunir as pessoas”, declara.
 

Homem da ciência

Azevedo Neto teve seu primeiro contato com a ciência aos 8 anos, na escola. Ele e seu amigo, Federico Dondé, biólogo e professor, gostavam de brincar de cientistas. “Saíamos catalogando plantas nos jardins pelo caminho. Essa convivência foi interessante e muito rica. Era uma brincadeira que foi permeando o meu interesse e um dia virou profissão”.

A ideia de cursar Medicina surgiu no ginásio, devido à relação que tinha com a área médica desde a infância. “Tive uma convivência muito intensa com profissionais e outros pacientes, e sempre me agradou bastante. Eu percebia que tinha facilidade no lidar com situações mais difíceis do dia a dia”, revela.

A deficiência física do médico nunca o impediu de realizar seus objetivos. No colégio, que oferecia cursos profissionalizantes, tornou-se auxiliar técnico em análises clínicas. Logo, ele estava cursando Medicina na FMUSP.

“Não percebi nenhum preconceito. Eu fazia natação e competia com outros calouros, em igualdade, nunca fui o último a chegar”, brinca Azevedo Neto que, nos anos 70, chegou a ser atleta de natação em eventos paraesportivos e ganhou medalhas de prata em um campeonato nacional, no Rio de Janeiro.

Durante a faculdade, participou de diversas ligas, entre elas, uma de combate a sífilis, que existe até hoje. “Desde o início do curso foi possível praticar um pouco a assistência médica, contato com o paciente, entrevistar, fazer os procedimentos, coletar sangue. O que balançou um pouco minha vontade de atuar na área científica”, resume. Depois de formado, ele cursou Residência em Patologia Clínica e trabalhou durante 5 anos na UTI do Hospital São Camilo. Com a especialização e o doutorado, fixou-se na docência e na pesquisa.

A docência não foi a primeira ideia do médico, mas, na faculdade, ele percebeu que era a melhor maneira de atender à sua vocação, pois envolve pesquisa e ensino.
 

Dedicação integral

Entre as atividades administrativas, o professor participa de reuniões de pesquisa e trabalhos, coordena cursos de pós-graduação, atende pesquisadores e alunos, e é vice-prefeito do Quadrilátero Saúde e Direito da USP.

“Eu gosto muito do que faço, de estar nessa sala, que é meio bagunçada. O pessoal que trabalha aqui que me aguenta”, brinca o médico, dizendo que a ideia de estar envolvido com a faculdade é a sua maior paixão. “Desde 1977 eu estou aqui, como aluno, residente e, como profissional, já são quase 40 anos”, conta.

Para ele, lidar com jovens é motivador. “Você acaba aprendendo com eles, é algo que não se troca por nada. Essa liberdade me mantém livre também. É uma parceria muito estimulante”, declara Azevedo Neto.

Durante muitos anos, o médico palestrou para estudantes de escolas públicas e privadas, sobre a Medicina. “Quando esses garotos que vêm do colégio, e até os pós-graduandos, me encontram e falam que a minha participação foi importante, e que eu os estimulei a fazer ou continuar na Medicina, seja através de uma palavra ou direcionamento, é um retorno que me traz uma alegria muito grande”, define o professor, que é pai de Ana Luísa, 30, bacharel em Educação Artística; Raymundo Machado de Azevedo Neto, 28, doutorando na área de Neurociências; Fernando, 27, engenheiro mecânico; e Pedro, 20, estudante de Jornalismo.
 


Prática transparente

“Certa vez, depois de uma palestra sobre a carreira médica, um estudante me fez a seguinte pergunta: ‘O que os médicos sabem que as pessoas leigas não sabem?’

Interpretei o questionamento do jovem estudante como se ele acreditasse que haveria segredos em nossa profissão que apenas os iniciados pudessem ter acesso.

Minha resposta, talvez decepcionante para ele, foi que a educação e o treinamento do médico, na verdade, são acessíveis a todos que se interessaram pelo conhecimento que envolve a natureza humana e se dedicarem tanto ao estudo quanto ao relacionamento direto com as pessoas. A boa Medicina é uma prática feita à luz do dia, às claras, e sem ocultar nada de todos que quiserem aprender dos frutos gerados pelo esforço da comunidade científica”.

Raymundo Soares de Azevedo Neto


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