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Edição 334 - 03/2016

EU MÉDICO (Pág. 12)

Antranik Manissadjian


Aos 91 anos, pediatra se dedica ao consultório


Com muita clareza e disposição, Antranik Manissadjian ainda clinica.
Médico teve importante carreira na área acadêmica


 


Manissadjian: com energia surpreendente para o trabalho,
o médico conta que não se esforça além de seus limites

 

Grato à recepção que teve no Brasil como imigrante, o pediatra e professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o sírio Antranik Manissadjian, que chegou ao País aos seis anos de idade, dedica-se a uma carreira que acompanhou a evolução de sua especialidade em São Paulo.

De família armênia, o médico nasceu em Alepo (Síria), em 1924, e imigrou ao Brasil em 1930, em decorrência do genocídio ocorrido na Turquia. Formou-se em 1949, na FMUSP, após concluir o colégio médico (ensino médio, realizado na própria faculdade de Medicina, como uma espécie de curso preparatório) na mesma instituição, em 1943.

A escolha pela profissão, ele acredita ter ocorrido devido a um acidente que, na infância, levou seu irmão caçula à morte. “Naquele tempo as crianças era embaladas em redes, ele caiu e deve ter tido um hematoma subdural, que não foi diagnosticado corretamente. Aquilo me impressionou muito. Talvez seja o motivo de eu ter escolhido a Medicina, em primeiro lugar, e a Pediatria, em segundo”, reflete.

Manissadjian especiali­zou-se em uma das primeiras turmas de Residência em Pediatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, sendo, depois, médico assistente do pronto-socorro da instituição e da clínica pediátrica da Faculdade.

Em 1961, o pediatra foi escolhido como bolsista do programa Point IV, da International Cooperation Administration, destinado aos profissionais de países menos desenvolvidos, viajando aos Estados Unidos para estágios e visitas a diversos hospitais. “O meu objetivo era conhecer serviços de Pediatria fora do País, porque havia visitado os que tínhamos aqui e não fiquei satisfeito com o que vi. Por seis meses andei perambulando pelos Estados Unidos (EUA), visitando diferentes hospitais. Também fiz um mês de curso de Neonatologia em Nova York. Quando voltei, introduzi no hospital o que eu havia visto, e era muito importante”, conta. Após seu retorno, o médico ajudou a criar a Unidade de Terapia Intensiva para recém-nascidos no HCFMUSP, que podia receber também bebês não nascidos lá.


Contribuição

Na carreira acadêmica, o médico defendeu sua tese de Doutorado em 1968 e se tornou professor titular da disciplina de Pediatria do Departamento de Clínica da FMUSP, em 1977, o quarto a ocupar a função. E foi nesse cargo que criou a Fundação Criança, em 1992, responsável pelo Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci). “No instituto, como professor titular, tive a oportunidade de criar as subespecialidades de Pediatria que tinha visto nos EUA: Neonatologia, Endocrinologia Pediátrica, Oncologia, Reumatologia, Cardiopatia, Processos Infecciosos etc. E as que foram surgindo à medida em que a especialidade foi se expandindo. Cheguei a deixar, enquanto titular, umas 14 subespecialidades pediátricas”, explica o médico.

Agora professor emérito, Manissadjian permaneceu como titular até sua aposentadoria compulsória, em 1994. Continua ativo em seu consultório particular e como membro da equipe de retaguarda do pronto-atendimento do Hospital Sírio-Libanês, na qual atua com casos de crianças que precisam de internação e não têm um médico fixo. Além disso, é vice-presidente da Associa­ção de Assistência à Criança Deficiente (AACD).

Com uma energia surpreendente para o trabalho, aos 91 anos, o médico conta que não se esforça além de seus limites, restringindo o número de pacientes atendidos em seu consultório, em decorrência da própria idade, que, segundo ele, provoca “um pique e depois um declínio”, que é natural.

Na mesa do pediatra não se vê computador, mas, ao lado dela, há uma máquina de escrever. Com todos esses anos de diferentes experiências, ele considera que a Medicina se transformou muito ao longo do tempo, e por uma razão simples: a internet. “Mudou não apenas a men­talidade dos médicos, mas também a dos pacientes. O que acontece agora é que os médicos frequentemente deixam de raciocinar clinicamente e pedem uma fileira grande de exames. E, se não pedem, o próprio paciente acha ruim. A internet em vez de ajudar, atrapalha. O médico precisa ter muita paciência para clarificar os pontos falhos daquilo que o paciente fala porque leu na internet e não interpretou bem”, aconselha.

 


Atendimento à comunidade

Muito ligado à comunidade armênia no Brasil, Manissadjian conta que, desde que se formou, fez questão de atender e ajudar seus companheiros, pois soube cedo que muitos, assim como sua família, chegaram ao País em uma situação difícil. “Eu sabia que tinha de colaborar também para que o espírito da armenidade prevalecesse, porque posso ser um bom brasileiro, sem deixar de ser um bom armênio. Porque se o País me propiciou tudo, também tenho que retribuir, porém sem esquecer as minhas origens”, diz o pediatra, que participa intensamente das atividades na Igreja Apos­tólica Armênia do Brasil, como presidente da Diretoria Executiva, mas não se envolve com entidades políticas.

Satisfeito com sua trajetória, o médico está consciente das escolhas que fez na profissão. “Eu queria uma vida mais acadêmica, estava muito mais interessado em ampliar meus conhecimentos e devolver ao País que me recebeu de braços abertos, dando-me tantas oportunidades como imigrante, no sentido de aumentar a eficiência e a instrução em Pediatria. De alguma forma, eu consegui”, considera Antranik.

 

 

 


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