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CAPA

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Mauro Gomes Aranha de Lima - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (Pág. 3)
Paulo Hoff


PROFISSIONAIS DA SAÚDE (Pág. 4)
Campanha conjunta


INSTITUIÇÕES DE SAÚDE (pág.5)
Reabilitação


SAÚDE PÚBLICA I (Pág. 6)
Sífilis congênita


SAÚDE PÚBLICA II (Pág. 7)
Imunização


JUDICIALIZAÇÃO (Pág. 8 e 9)
Decisão jurídica


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EU MÉDICO (Pág. 12)
Gabriel Liguori


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BIOÉTICA (pág. 15)
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Edição 336 - 05/2016

ENTREVISTA (Pág. 3)

Paulo Hoff


“É fundamental ter compaixão ao tratar um paciente com câncer”

 

“As pessoas tendem a interpretar cuidados paliativos
como uma sentença de morte"

 

A área de atuação médica denominada Cuidados Paliativos foi criada em 2011, por meio de Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) e está associada às especialidades de Clínica Médica, Cancerologia, Geriatria e Gerontologia, Medicina de Família e Comunidade, Pediatria e Anestesiologia.  Para discutir a importância desse trabalho médico no atendimento a pacientes com doenças crônicas como o câncer, o Jornal do Cremesp conversou com o professor titular de Oncologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Paulo Hoff, que também é diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). Hoff também falou sobre as modalidades de tratamentos contra o câncer, as possibilidades de cura, o acesso e as dificuldades no custeio pelo SUS dos serviços oferecidos.

 

  • Que circunstâncias são apropriadas aos cuidados paliativos no tratamento contra o câncer?

Tradicionalmente recorre-se aos cuidados paliativos no tratamento contra o câncer ou doença crônica degenerativa no período mais terminal. Mas já existe, nos EUA e na Europa, um movimento para sua introdução mais precocemente, mesmo para o paciente que recebe outro tratamento para a doença, pois ele poderá beneficiar-se do grupo de cuidados, que tem uma visão mais humanizada, preparando-o para o que vier a seguir. Em geral, iniciam-se esses cuidados quando o paciente tem uma expectativa de vida em torno de seis meses ou menos. Porém, existem alguns grupos que preconizam que pacientes com doenças incuráveis podem se valer desse serviço até antes, pois com essa rotina mais precoce, já é possível um impacto mais positivo na vida do paciente e seus familiares.

 

  • Os cuidados paliativos aplicam-se a que tipo de doenças?

Existem cuidados paliativos para qualquer doença crônica degenerativa em estado terminal, que envolvem os aspectos físicos, no atendimento médico e no suporte da reabilitação fisioterápica, enfermagem e nutrição, além de acompanhamento espiritual, quando necessário. E a intervenção deve ser individualizada pelo tipo de doença. Por exemplo, a doença crônica pulmonar difere dos cuidados paliativos necessários à insuficiência cardíaca.

 

  • Essa área de atuação parece ainda enfrentar algum tabu. Por que isso acontece?

Um dos problemas é que os cuidados paliativos, em nosso meio, ainda padecem um pouco de desconhecimento. As pessoas tendem a interpretar a sua introdução como uma sentença de morte, mas isso não é necessariamente verdade. Eles podem ser introduzidos mais precocemente, e já há um esforço para que seja ainda mais cedo em pacientes com câncer e expectativa de vida longa, auxiliando no tratamento dos problemas dele decorrentes.

 

  • De quem é a decisão por esse tipo de cuidado?

É muito importante que vejamos os cuidados paliativos como algo complementar ao tratamento usual. A sua adoção passa pela situação clínica e pelo desejo do paciente e de seus familiares, mas a decisão é do médico. Ela será mais precoce ou tardia de acordo com as necessidades do paciente.

 

  • Há muita procura entre os profissionais por essa área de atuação?

A área é muito nova, mas temos colegas que se dedicam a ela normalmente, mesmo tendo outra especialização, pois eles percebem como “um chamado” dedicarem-se a cuidados paliativos. Independente da oficialização como especialidade, na prática, já se veem grupos de médicos se aperfeiçoando nesse tipo de cuidado.

 

  • Mediante as opções de tratamento disponíveis, quais as chances de cura do câncer?

Na América como um todo, e no Brasil em particular, mais da metade dos pacientes com câncer chegam à cura. Dados do Estado de São Paulo, por exemplo, apontam que quase 60% dos pacientes diagnosticados com câncer conseguem se curar da doença. Atualmente temos um número grande de pacientes com câncer no País, em torno de 600 mil casos, com média de 190 mil óbitos ao ano, entre os mais agressivos ou letais. Mas só é possível atingir esse percentual de cura valendo-se dos três pilares do tratamento oncológico: a cirurgia, a radioterapia e os tratamentos oncológicos sistêmicos, que incluem a quimioterapia e as terapias moleculares.

 

  • O custeio do tratamento é majoritariamente feito pelo SUS?

No Brasil, de 70% a 80% dos casos são tratados pelo SUS, o restante por meio de convênios particulares. A verba que o SUS tem direcionado ao tratamento do câncer vem aumentando, porém continua insuficiente. Mas temos alguns focos que são gargalos importantes no tratamento no País: poucos locais para fazer o diagnóstico inicial, não há serviço de cirurgia suficiente para todos os pacientes e formam-se filas, porque há mais pacientes do que a infraestrutura permite. Além disso, existe um grande déficit de máquinas de radioterapia, faltam mais de 170 para se chegar a um número adequado à demanda. Quando falamos de quimioterapia, os repasses do SUS em muitas situações são insuficientes para que o paciente receba um tratamento mais moderno.

 

  • O Icesp dispõe de tecnologias avançadas no tratamento contra o câncer?

No Brasil, temos um sistema de incorporação de novas tecnologias interessante, mas que tem se mostrado muito lento pelas dificuldades financeiras. O Icesp trata um número pequeno de pacientes em relação ao País inteiro. São em torno de 50 mil tratados ou acompanhados. A cada ano, incorporamos de 11 mil a 12 mil novos casos, com realização de cerca de 340 mil consultas.

 

  • Há algum aspecto do atendimento ao qual o médico deve estar atento ao tratar esses pacientes?

Em termos de cuidados paliativos, o atendimento gira em torno de uma situação dramática, que é o aparecimento de uma doença estigmatizada. É fundamental que o médico use o máximo de compaixão, pois é uma situação de muito stress, que requer esforço, tratamento humanizado e a aplicação do melhor conhecimento técnico e científico.

 

 


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