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CAPA

EDITORIAL (pág. 2)
Mauro Gomes Aranha de Lima


ENTREVISTA (pág. 3)
Lígia Bahia


INSTITUIÇÕES DE SAÚDE (pág. 4)
Instituto de Oncologia Pediátrica


SUS (Pág. 5)
Subfinanciamento da saúde


ÉTICA MÉDICA 1 (pág. 6)
Novo CEM


TRABALHO MÉDICO (pág. 7)
Falta ao plantão


EXAME DO CREMESP (págs. 8 e 9)
Avaliação acadêmica


ÉTICA MÉDICA 2 (pág. 10)
Comissões de Ética


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág. 11)
Simpósio


EU, MÉDICO (pág.12)
Rachel Esteves Soeiro


JOVENS MÉDICOS (pág. 13)
Saúde dos residentes


CONVOCAÇÕES (pág. 14)
Editais


BIOÉTICA (pág. 15)
Vida & Morte


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Edição 341 - 10/2016

BIOÉTICA (pág. 15)

Vida & Morte


Espiritualidade é uma das dimensões a serem
valorizadas em fim de vida

 

No contexto da saúde, espiritualidade remete-se a questões
como significado e sentido da vida


Admitir, valorizar
e incluir no atendimento a discussão espiritual
é essencial no processo de morte

 

A aproximação da fase final da vida de pacientes pode levar médicos e demais membros da equipe de saúde a dilemas sobre como lidar com pessoas “diferentes” do que até então aparentavam, em suas crenças, universo familiar e vínculos com amigos. Assim, torna-se essencial atentar-se à dimensão espiritual, incluída na definição de “bem-estar” da Organização Mundial de Saúde (OMS), ao lado das esferas física, social e mental.

Segundo a OMS, no contexto de saúde, a espiritualidade remete a questões como o significado e o sentido da vida, não se limitando a qualquer tipo específico de prática religiosa. Refere-se, inclusive, à chamada “espiritualidade laica”, que enfatiza o desenvolvimento pessoal do indivíduo, em vez de eventual relação com “o divino”. Aqui, ir além do aspecto biológico é um grande desafio aos profissionais de saúde.

Nesse sentido, a posição trazida por alguns campos, como o dos cuidados paliativos, sugere aos que atuam em fase final de vida avaliar a importância da “história espiritual” do paciente e de seus familia­res.  Ao ignorar tal etapa, pode-se “banalizar a experiência legítima daqueles que morrem e impedir um atendimento adequado”, escreveu o geriatra Luis Alberto Saporetti, no livro Cuidado Paliativo, editado pelo Cremesp.


Sentimento humanitário

A proximidade do fim da vida é o “momento em que tendemos a perdoar os entes mais próximos com quem estávamos rompidos e a valorizar um sentimento humanitário – e até cósmico – por tudo o quanto existente”, considera o psiquiatra Mauro Aranha, presidente do Cremesp. Entre os que encaram a morte como parte da vida (veja box ao lado) surge até “a sensação de pertencimento à ‘comunidade’ humana”, completa o raciocínio a geriatra e paliativista Ana Cláudia Arantes.

É claro que nem todos reagem da mesma maneira, em época tão delicada. “Alguns pacientes idosos e/ou materialistas não chegam a demonstrar interesse pelo sentido da vida”, explica Maria Júlia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos Sobre a Morte (LEM), do Instituto de Psicologia da USP. “Como o médico é frequentemente questionado sobre tais assuntos, cabe a ele incentivar o que é mais importante aos pacientes. Descrença e desprezo pela busca espiritual podem ser sentidos por eles como rejeição”, ressalta.

Entre as dificuldades para abordar a questão espiritual em final de vida figura a ignorância do paciente quanto à própria finitude. Nessa superação, uma relação médico-paciente construída em confiança, empatia e na liberdade para se abordar temas difíceis, pode ser peça-chave para que desejos sejam colocados em prática e convicções, reforçadas, antes do fim.


Morte. Inimiga?

Apesar de presente implícita ou explicitamente na formação médica, a morte continua sendo te­ma espinhoso a boa parte dos profissionais. “Foi nossa primeira professora, nas aulas de anatomia e patologia, porém, continuamos a considerá-la nossa pior inimiga”, pondera Ana Arantes. “Não adianta lutar contra a morte, pois sempre vamos perder”.

O sucesso, diz, pode ser fazer com que os pacientes e seus familiares superem medos comuns em relação à morte, como a dor e o abandono. Para evitar ou minimizar a dor física, a Medicina Paliativa, área de atuação médica desde 2011, tem disponível uma gama de medicamentos e procedimentos. Equipes multiprofissionais deixam claro aos atendidos que sempre terão algum tipo de tratamento, por quanto tempo necessitarem.

Contudo, é necessário sensibilidade para manejar dois temores comuns nessa fase, que envolvem o distanciamento de entes queridos e a insegurança quanto à fé. Em ambos os casos, é possível ajudar, como explica Ana Arantes, citando o caso do paciente “M”, diagnosticado com sarcoma aos 11 anos de idade; dado como curado, após tratamento quimioterápico e radioterápico, mas que apresentou metástase cerebral, aos 13. “M. sabia que tudo tinha sido feito pela equipe. Aceitava a morte, mas não se apaziguava, pela preocupação com a família, e especialmente, devido à inconformidade da mãe, bastante religiosa, que acusava o pai de ter ‘pouca fé’”, conta Ana Arantes. Para superar tais conflitos, o médico assistente aconselhou o paciente a “pedir autorização” aos pais, antes de partir; agradecê-los por tudo; e dizer que a sua vida estava sendo entregue “ao Criador”.

Admitir, valorizar e incluir no atendimento a dimensão espiritual não solucionou o padecimento de todos pela perda inevitável. Mas “tornou-se essencial na elaboração do processo de morte, de forma bem mais calma e assertiva”, diz Ana Arantes.


“Boa morte” e “má morte”

Os conceitos de “boa morte” e “má morte” adquiriram vulto na idade medieval, quando a morte não era vista como um evento, mas um processo a ser vivido.

Tinha boa morte os que “se preparavam” de maneira adequada para o “além”. Advertido por quem prestava o cuidado de que estava em seus minutos finais, o moribundo cristão submetia-se a rituais, como deitar-se de frente para o céu, com as mãos cruzadas sobre o peito. Se não houvesse tempo hábil para isso, a pessoa experimentaria uma “má morte”, vista como “vil” e “vergonhosa”.


Sedação paliativa

Uma das etapas importantes no processo de morrer corresponde à despedida de entes queridos – algo capaz de ser dificultado ou impedido, sem o emprego correto da chamada “sedação paliativa”. “De acordo com a minha experiência, quanto maior o índice de sedação paliativa, pior o nível de cuidados”, opina Ana Arantes. “É proporcional”.

Segundo ela, propiciar, quando possível, um adequado alívio de sintomas pode evitar o uso indiscriminado de sedação, “nada compatível com um fim de vida digno”.

 

 


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