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MEMÓRIA
Alfredo Bruno Júnior e Ruy Ferreira Santos


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Edição 195 - 11/2003

MEMÓRIA

Alfredo Bruno Júnior e Ruy Ferreira Santos


Alfredo Bruno Júnior

A história do homem que viu o Cremesp nascer

Um senhor prestes a completar 70 anos aproxima-se da sede central do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Por sua vitalidade, não aparenta a idade que tem e os olhos demonstram a emoção que sente. Estatura média, elegância confirmada pelo terno discreto, assim Alfredo Bruno Júnior visitou o Cremesp no mês de novembro. Levava, em uma pasta preta, relíquias muito bem conservadas.

Alfredo foi um dos dois primeiros funcionários do Conselho de Medicina de São Paulo, exercendo a função de “cobrador”, em 1959. Próximo do seu aniversário de 70 anos, no dia 13 de novembro de 2003, ele começou a recordar como era seu trabalho quando tinha 23 anos.

Visitava os consultórios dos médicos registrados no Cremesp para cobrar-lhes as anuidades. “Ainda existiam os bondes. Eu percorria um bairro, uma região por dia, ia de consultório em consultório. Isso fez com que eu ficasse amigo de muitos médicos”.

Apesar de garantir ter sido sempre bem recebido nos consultórios, Alfredo lembra da dificuldade que era explicar o sentido da cobrança.

Aquele era o ano da eleição da primeira Diretoria e do corpo de conselheiros, que substituiria o Conselho Provisório de Medicina, e só poderiam votar os médicos que estivessem com as anuidades pagas.

Nessa época, Alfredo se dividia entre três empregos. Pela manhã era funcionário da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e no período da tarde fazia as cobranças do Cremesp e do Sindicato dos Médicos de São Paulo. “Não era tão difícil. O Sindicato e o Conselho ficavam no mesmo prédio. Quando fazia serviços internos bastava descer ou subir dois andares”.

O Cremesp funcionava no prédio da Associação Paulista de Medicina (APM), que ocupava um andar. Tinha apenas uma funcionária com vínculo empregatício, pois Alfredo era prestador de serviços.

Quem o convidou para trabalhar no Cremesp foi o então presidente em exercício, José Francisco Soares de Araújo, que conheceu Alfredo na Secretaria de Saúde.  Na primeira eleição do Cremesp – que teve apenas uma chapa e votaram 4.911 médicos – trabalhou como escrutinador, fazendo a apuração dos votos.

Em 1960 foi forçado a optar entre a Secretaria e o Cremesp. E decidiu continuar seu trabalho no serviço público estadual. “Achei arriscado demais deixar um local onde era funcionário efetivo e ir trabalhar em uma instituição que estava apenas dando os primeiros passos”, diz Alfredo. Continuou, no entanto, fazendo as cobranças do Sindicato como prestador de serviço e, em 1978, passou a ser funcionário do Sindicato e deixou, definitivamente, a Secretaria de Saúde.

O Cremesp cresceu e a atual estrutura impressiona quem o viu nascer: “é como um filho que você vê aprendendo a andar e hoje percebe que ele está caminhando com as próprias pernas, é independente e tem uma atuação importantíssima”.

Aposentou-se em 1996, mas continua na área médica, como fez durante toda a vida. Atualmente trabalha como mesário da Santa Casa de Santo Amaro. Sua única frustração, diz, foi não ter conseguido cursar Medicina.

Relíquias

Emocionado, Alfredo Bruno Júnior doou ao Cremesp o conteúdo da sua  pasta preta: o original da primeira ata do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, escrita em máquina de datilografar e com data de 5 de março de 1959, na qual toma posse a primeira Diretoria, presidida pelo médico Flamínio Fávero; alguns recibos de anuidade; e os exemplares  do Boletim do Sindicato dos Médicos de São Paulo, de 1966 até 1969.

Levou para casa, dentro da mesma pasta preta, um exemplar da revista Ser Médico e do Jornal do Cremesp.

Os documentos que, a partir da doação, fazem parte do acervo histórico do Cremesp, estavam guardados no escritório de Alfredo desde que ele trabalhou no Conselho, em 1959. Em breve estarão em exposição.

Ruy Ferreira Santos
Cirurgião, conselheiro e humanista

Isac Jorge Filho*

 

De repente não deu mais. O guerreiro, que lutou tanto pela vida, a sua e a dos seus pacientes, nos deixou. Ele já havia driblado muitas vezes o chamado do Grande Arquiteto do Universo. Para onde foi, a alegria da chegada de mais um bom médico, um dos melhores. Para sua família e para seus milhares de discípulos, amigos e pacientes, a dura tristeza da separação. Para nós, cirurgiões brasileiros, a perda de uma de nossas maiores e melhores referências.

Ferreira Santos foi um cirurgião completo. Dos que cuidavam do corpo e da alma. Com ele, nós, seus ex-alunos, aprendemos sobre pré e pós-operatório, sobre técnica cirúrgica, dentro do rigor que sempre o acompanhou, mas aprendemos principalmente que estávamos cuidando de pessoas e não de indivíduos, que tratávamos doentes e não apenas doenças. Com certeza esse forte componente de sua formação, que procurava passar para os discípulos, teve muito a ver com a feliz união com sua esposa, do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria, Célia Ferreira Santos.

Foi essa ligação com aspectos psicológicos e éticos da medicina e da cirurgia que o fizeram conselheiro deste Cremesp de 1973 a 1978, o que certamente enriquece a história desta Casa.

Sempre preocupado com a dignidade da classe médica, foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Unimed de Ribeirão Preto.

Paulistano, nascido em 10 de maio de 1917, na rua Santa Izabel, perto do Largo do Arouche, Ruy Escorel Ferreira Santos estudou no Colégio São Bento, tendo se graduado médico em 1940, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Optou pela carreira universitária, permanecendo no Hospital das Clínicas até 1954, quando, convidado por Zeferino Vaz, aceitou o desafio de criar o Departamento de Cirurgia da nova Faculdade de Medicina que a Universidade de São Paulo havia criado em Ribeirão Preto.

Ali dedicou-se à assistência, ensino e pesquisa com tal eficiência, que se tornou conhecido e respeitado nacional e internacionalmente, chegando a ser o presidente do Diretório Nacional do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, cargo até então ocupado apenas por cirurgiões das grandes capitais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Os dados biográficos são de seu livro de memórias, publicado em 2002, ao qual deu o título de: “Um cirurgião operando a própria vida”. A leitura é obrigatória para os que gostam de Medicina e Cirurgia, de sinceridade e de amor ao próximo. No epílogo o mestre sentencia:

“Cumpri o meu dever (...) de transmitir o que sabia. Fiz gente. Fiz gente que me superou. Balanço positivo. Resta aguardar o instante em que voltarei à energia cósmica”.

Ferreira Santos se foi. Ficam seus exemplos de vida, seus ensinamentos e um enorme orgulho do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo de tê-lo tido como um dos seus conselheiros.

* Gastroenterologista e Conselheiro do Cremesp

(A Plenária de nº 3.037, ocorrida em 04/11/2003, fez um momento de silêncio em memória do colega)

 


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