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Edição 196 - 12/2003

HISTÓRIA

Walter Leser


Uma vida dedicada à Medicina

"Um acaso". É assim que Walter Leser, registrado no Cremesp com o número 0004 e um dos nomes mais respeitados da Medicina Preventiva no país, define seu início na carreira médica. Ainda jovem, sonhava ingressar na Escola Naval. Viajou ao Rio de Janeiro, mas ao conversar com os oficiais de Marinha percebeu que sua vocação não era aquela, conta do alto de seus 94 anos.

Hoje, Leser pode dizer que felizmente voltou a São Paulo e, em 1928, decidiu fazer Medicina, formando-se em 1933 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), a única que existia no Estado.

Naquela época, para receber o diploma, o estudante tinha que defender tese. Geraldo Paula Souza, que era diretor do Instituto de Higiene da Fmusp, orientou Leser a fazer uma tese sobre estatística, área ainda pouco explorada. "Eu disse a ele que faria, mas que não entendia nada de estatística". Leser relembra a conversa com Paula Souza: "Ele me disse que tinha os livros lá, que eu só precisava estudar. E quando eu não entendesse alguma coisa, que deveria ir para casa, deitar e rezar, que no dia seguinte teria entendido tudo", diverte-se.

Paula Souza prometeu que quando Walter terminasse a tese, teria emprego no Instituto. Mas, após a defesa do trabalho, foi informado de que a verba para contratação havia sido cortada e o Instituto não poderia pagá-lo.

Precisando de emprego, foi aconselhado por Paula Souza a procurar o professor de química biológica da Fmusp, Jaime Cavalcante. "Eu não entendia nada de química, mas Paula Souza disse-me que não precisava saber, bastava não ser burro", brinca. Após uma conversa, Cavalcante contratou Leser como assistente.

Laboratório
Deixou o Departamento de Química Biológica da Faculdade de Medicina quando foi chamado por Gastão Fleury para trabalhar no laboratório de análises clínicas. Fundado em 1926, o Laboratório Fleury, que hoje realiza 10 mil exames diários e tem um corpo clínico de 250 médicos, estava apenas começando. "Éramos só nós dois e acabou transformando-se nessa enorme rede de laboratórios".

Por volta de 1934, prestou concurso e foi aprovado como professor de Higiene na Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM). Representando a EPM, Leser participou de um Seminário em Viña del Mar, no Chile, para discutir ensino de Medicina Preventiva. "Foi nessa ocasião que apareceram as idéias sobre a Medicina Preventiva. De volta ao Brasil, disse na EPM que aquela cadeira de Higiene não tinha muita utilidade e que precisavam criar um Departamento de Medicina Preventiva. O Departamento foi criado e eu fiz parte dele como professor até poucos anos atrás", orgulha-se.

Conselho de Medicina
Por volta de 1956, Leser foi eleito membro do Cremesp, integrando a diretoria formada por Flamínio Favero, Humberto Cerruti, Jair Xavier Guimarães e Waldemar Barnsley Pessoa. "Levávamos o Cremesp muito a sério, nos reuníamos semanalmente, íamos atrás dos médicos que faziam alguma besteira, denunciávamos e puníamos".

No Conselho, acompanhou casos como o de um paciente, de Mato Grosso, que viajou até São Paulo para ser operado por Alípio Correa Netto, um respeitado cirurgião. O paciente pediu ao dono do hotel onde estava hospedado que o levasse a Alípio. Foi operado e voltou ao Mato Grosso. Quando descreveu o dr. Alípio a seu médico, ocorreu o estranhamento: "o paciente disse que Alípio era moreno e alto e o médico dele em Mato Grosso achou esquisito, pois essa não era a descrição correta. O paciente denunciou o médico que havia feito a operação, nós o chamamos e ele disse que não sabia de nada. A cirurgia havia sido feita, e bem feita".

Vacinação
Em 1967, foi chamado pelo então governador do Estado de São Paulo, Roberto Costa de Abreu Sodré, para ocupar o cargo de secretário da Saúde do Estado, onde atuou por quatro anos. Voltou à Secretaria de Saúde em 1975, no governo de Paulo Egydio Martins.

Uma das experiências marcantes como secretário foi o combate à varíola: "vacinamos o Estado todo. Eu trabalhei nisso com a equipe. Foram quase 18 milhões de pessoas vacinadas, e a doença foi erradicada". Em 1975 uma epidemia de meningite no Estado também obrigou o governo a vacinar a população. Foram vacinadas quase 9 milhões de pessoas, acima de 6 meses de idade, na grande São Paulo contra meningite tipo A e C. A vacinação foi estendida, depois, a outras regiões do Estado.

Da primeira vez que atuou como secretário, recebeu o telefonema de um prefeito denunciando casos de febre tifóide em Igaraçu do Tietê. "Era um povoado de 'bóias frias'. Levei engenheiros sanitários para verificar a qualidade da água. Voltei à São Paulo e falei para Sodré que havia constatado duas epidemias, uma de febre tifóide e outra de fome". O então governador enviou cestas de alimentos ao povoado além de controlar a epidemia que estava sendo causada por uma fonte de água contaminada. Esse episódio rendeu a Leser que seu nome fosse colocado numa rua do município.

Walter Leser foi também um dos criadores do formato atual dos exames vestibulares. Juntamente com Isaias Raw, em 1953, introduziu os testes de múltipla escolha, em substituição às questões dissertativas e à prova oral. "Achava que essa era uma forma mais inteligente de seleção, além de ser mais fácil de corrigir".

Uma rosa a mais a cada ano
Nascido em São Paulo, em 1909, casado há 69 anos com Helena, e pai de três filhos, um médico, um engenheiro e uma física, Leser é um homem tranqüilo. Tem cinco netos e alguns bisnetos: "não sei quantos são".
Romântico, em todos os aniversários de casamento aumenta um botão de rosas no buquê que dá à esposa.

Além da leitura e de assistir competições esportivas na televisão, gosta de jogar xadrez. Aprendeu quando era jovem e diz que chegou a ser um dos melhores enxadristas de São Paulo. "Jogo até hoje, mas agora a cabeça já não ajuda mais..."

Medicina
Para Walter Leser, a Medicina atual em relação ao passado "não mudou muito, só que hoje tem uma infinidade de recursos. Eu me lembro do sucesso que foi o dia que chegou o primeiro eletrocardiógrafo e começamos a fazer eletrocardiogramas na Santa Casa de Misericórdia". 
Porém, com muita lucidez, considera um grande problema o aumento do número de faculdades de Medicina. "Isso é o pior, quem vai fazer parte do corpo docente dessas universidades? Não é qualquer pessoa que pode dar aulas, é preciso ter gente capaz. Medicina é uma coisa séria, pois você lida o tempo todo com a vida das pessoas".


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