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Abertura de novos cursos de Medicina: moratória!


ENTREVISTA
Antonio Carlos Lopes, novo secretário executivo da Comissão Nacional de Residência Médica


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Rede de Apoio a Médicos é ampliada


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 1
Lei do Ato Médico - Primeira Plenária do Cremesp de 2004 aberta ao público médico


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 2
Notificação extrajudicial do Cremesp alerta contra terapias "naturais"


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 3
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Desafio: o crescimento da população idosa brasileira


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Termo de autorização para cirurgias gera debate no Cremesp


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Edição 198 - 02/2004

ENTREVISTA

Antonio Carlos Lopes, novo secretário executivo da Comissão Nacional de Residência Médica


"Por pressões e interesses econômicos, abre-se uma escola médica na esquina da outra."

 O professor titular de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antonio Carlos Lopes, é o novo secretário executivo da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) do Ministério da Educação. Em entrevista ao Jornal do Cremesp, conduzida pela conselheira do Cremesp Maria do Patrocínio Tenório Nunes,  Lopes  afirmou que pretende aproximar  o currículo da residência médica às necessidades de saúde da população, diminuir as desigualdades regionais na oferta de vagas e valorizar a atuação do residente.


JC. Qual a importância da Residência Médica hoje no país?
Antônio Carlos Lopes.
É, sem dúvida,  a melhor forma de especialização dos médicos. Como modalidade de ensino de pós-graduação, que funciona nas instituições de saúde, precisa ser cada vez mais valorizada, pois é um prolongamento quase que obrigatório da formação básica. Trata-se de um instrumento imprescindível para o ensino médico e para o sistema de saúde, inclusive em termos quantitativos. Somente em 2003 a Comissão Nacional credenciou 20.500 vagas de Residência Médica, sendo 8.500 para residentes de primeiro ano. São mais de  2.500 programas de residência, em 415 instituições. E isso ainda é pouco. Apesar do crescimento das oportunidades de Residência nos últimos anos, não há vagas para todos os formandos em Medicina do país. Têm sido excluídos, infelizmente, aqueles que cursaram escolas que não oferecem formação adequada. Defendo que os residentes passem a ter formação mais humanista, compromisso ético e se envolvam com programas comunitários,  campanhas e ações de saúde pública,  como forma de dar um retorno à sociedade que financiou sua formação.

JC.  A insuficiência de vagas não cria distorções no ingresso para a Residência?
Antônio Carlos.
Uma de nossas prioridades será  adequar o exame de ingresso na Residência. Não podemos admitir a proliferação de cursinhos (N. R. preparatórios para o exame de Residência), que banalizam e contribuem para o sucateamento da graduação. Neste caso, os indivíduos são também selecionados pelo poder econômico, pois nem todos podem pagar a mensalidade  dos cursinhos, de mais de R$ 400,00 mensais, em média. Hoje, um aluno do sexto ano praticamente perde um ano de internato, que é o mais importante, para fazer cursinho que o capacita a responder testes de múltipla escolha. Vamos compor uma equipe de pedagogos e especialistas em avaliação que nos ajudem a  montar um sistema diferente de ingresso. Quem frequentar a faculdade durante os seis anos, em tempo integral, e receber formação adequada, tem que passar no exame de Residência. Pretendemos unificar quesitos que sejam obrigatórios em todos os exames, como a valorização do empenho dos alunos nos serviços, no internato, durante toda a faculdade. Deve ser aprovado na Residência aquele que tiver conhecimento acumulado do ponto de vista cognitivo, da habilidade, da ética e da atitude.

JC. Mas também existem as desigualdades regionais. Cerca da metade dos recém-formados em todo o país dirige-se para o Estado de São Paulo em busca de uma vaga para Residência . Muitos não conseguem ser aprovados e, aqueles que obtêm a vaga, muitas vezes não retornam  para seus Estados...
Antônio Carlos.
A Residência tem que ser uma forma de democratização do conhecimento,  sem exclusão social. Vou defender que o MEC reserve um determinado número de vagas nos grandes centros das regiões Sul e Sudeste para médicos recém-formados nas regiões Norte e  Nordeste. Eles seriam concursados e aprovados com critérios de seleção local, a cargo da Comissão de Residência do Estado onde residem. Fariam a residência nas grandes escolas, onde há infra-estrutura para a transmissão de conhecimento,  formação e educação médica, mas receberiam o certificado de conclusão na cidade de origem, como forma de incentivar a adesão. Com isso, estaríamos formando preceptores, que passarão a melhorar a Residência no local de onde vieram.

JC. O senhor pretende buscar o reajuste do valor da bolsa para os residentes?
Antônio Carlos.
Há formas de valorizar o trabalho do residente sem reajustar diretamente o valor da bolsa, mantendo a meta de crescimento do número de bolsas. Vou lutar pelo fim da cobrança do INSS do residente, o que já representaria um ganho real mensal. Da mesma forma, nosso objetivo é assegurar condições de subsidiar alimentação e moradia adequadas. Valorizar o residente é também garantir a supervisão adequada dos programas de Residência. Medicina se aprende do lado de quem sabe. Sem supervisão, a Residência perde o sentido, transforma-se em mão de obra barata.

JC. Como será sua forma de trabalho e primeiras medidas à frente da Comissão Nacional de Residência Médica?
Antônio Carlos.
Vou descentralizar o poder do secretário executivo. As comissões estaduais terão liberdade de exercer sua função, sem depender das decisões centralizadas de Brasília. Vou visitar todas as estaduais e abrir canais de comunicação. Também pretendo criar um grupo de indivíduos, de consultores, vinculados ou não à CNRM, ligados ao ensino. Eles se reunirão mensalmente, como uma forma de amadurecermos algumas questões, antes da discussão no plenário da Comissão Nacional, em Brasília. Pretendo aproximar os Programas de Residência com as sociedades de especialidades médicas. Os residentes devem sair já com o título de especialista, como acontece, por exemplo, com a Clínica Médica da USP e da Unifesp. Ao final do programa os residentes serão submetidos à prova de título da especialidade, ao mesmo tempo em que concluem a avaliação em seus serviços. 

JC. O senhor sempre se posicionou contra a abertura de novas escolas médicas. No momento em que o senhor vai participar do Ministério da Educação, o que poderá fazer nesse sentido?
Antônio Carlos. 
Continuarei defendendo meus princípios, pois fui uma das pessoas que mais me expus, de maneira frontal, contra os interesses envolvidos na abertura dessas escolas, sobretudo no Estado de São Paulo. Quando consultado, vou propor a suspensão imediata da abertura de novos cursos. É inaceitável abrir escola onde não há demanda social, em locais em que o modelo acadêmico e pedagógico só existe no papel. Abre-se  uma escola na esquina da outra, por pressões,  lobbies e interesses econômicos. Não há nenhum compromisso ético com o ensino,  com a sociedade. Falta corpo docente adequado e não existem  recursos materiais apropriados em muitos cursos. Os alunos formados nessas escolas terão as portas fechadas para a Residência, ficarão submetidos a condições precárias de trabalho, remuneração indigna e podem representar riscos para a saúde da população.

 


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