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CAPA

EDITORIAL
SOS Médico, SOS Saúde!


HISTÓRIA
A evolução do JC em 200 edições


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 1
Lançamento da Campanha pela proibição de novos cursos de Medicina


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 2
Protesto no ABC é um marco do movimento médico que cresce pelo país


ENTREVISTA
Fausto Pereira dos Santos, diretor-presidente da ANS


ESPECIAL
Pesquisa do CFM sobre Trabalho e Qualidade de Vida do Médico


CONJUNTURA
Pesquisa do CVE sobre as principais causas de morte no Estado


PLENÁRIA TEMÁTICA
Exame de Qualificação para recém-formados


GERAL
Destaque para a prévia do Encontro Sul-Sudeste


AGENDA
Entre os temas, nova sede do Cremesp em Botucatu/Diretórios Acadêmicos são recebidos pela APM/Simpósio de Ética Médica em Araçatuba


NOTAS
Alerta Ético


ALERTA CIENTÍFICO
Contra-indicações da prescrição de diclofenaco a menores de 14 anos


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Edição 200 - 04/2004

ESPECIAL

Pesquisa do CFM sobre Trabalho e Qualidade de Vida do Médico


Médico trabalha cada vez mais. E ganha cada vez menos.

A maior parte dos médicos considera a profissão desgastante, exerce mais de três atividades e foi obrigada a aumentar a carga horária nos últimos anos. O excesso de trabalho, no entanto, não repercutiu no aumento da remuneração. Em 1996, 44,5% dos profissionais recebiam, em média, menos de R$ 6.000 por mês. Hoje, 51,5% estão nessa faixa salarial. Apenas 8,5% dos pesquisados têm hoje salário acima de R$ 12.000 por mês, grupo que chegava a 20% há dez anos. A média salarial atual é de R$ 4.800 mensais, valor 20% menor quando comparado à média de 1995.

Essas e outras constatações estão na Pesquisa sobre Qualificação, Trabalho e Qualidade de Vida do Médico, divulgada em abril de 2004 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Ao todo, 14.405 médicos participaram do estudo, que abrangeu  todas as regiões do país e todas as especialidades médicas. As informações foram coletadas pela Internet durante o ano de 2002, por meio de questionário disponibilizado, inclusive, no site do Cremesp. No ano da coleta de dados o Brasil contava com 234.500 profissionais em atividade; hoje já são 290.000.

A pesquisa traz informações sobre  a distribuição geográfica dos médicos, formação profissional, mercado de trabalho, participação científica, e, ainda, percepções sobre políticas sociais, ética e valores humanos.
O primeiro perfil do médico foi traçado em 1996, coordenado  pela pesquisadora Maria Helena Machado, da Fundação Oswaldo Cruz, quando o Brasil contava com 183.000 médicos em atividade.
Em termos gerais, prevalece na categoria médica os homens (70%); os jovens (65% têm menos de 45 anos); os que atuam nos grandes centros urbanos e os que permanecem no seu Estado de origem depois de formados.

A visão pessimista do futuro da profissão é compartilhada por 45,7% dos médicos. Uma boa notícia é que os médicos estão se deslocando mais para o Interior do país. Embora 62,1% estejam concentrados nas capitais - onde encontra-se apenas 23,8% da população brasileira -, o número de médicos em cidades do interior passou de 34,1% em 1996 para 37,9% em 2002.

Atividade em consultório está em queda
O médico mantém múltiplas  fontes de renda, inclusive fora da Medicina. Observa-se, hoje, maior dispersão entre os setores de atuação, que vão desde o consultório clínico à docência. Mesmo assim, cerca de um terço dos entrevistados disseram que sua renda mensal diminuiu em anos recentes.

Quase não há desemprego entre os médicos e apenas 1,7% não exercem a profissão. Em 1996 a maioria dos médicos exercia  a Medicina no consultório (74,7%) e no setor público (69,7%); no setor privado atuavam 59,3%. Houve redução do número de médicos que atuam no consultório (67%) e no setor privado (53,8%); porém, o mesmo contingente trabalha  no setor público (69,7%). Considerou-se ainda o exercício da Medicina no setor filantrópico (20,3%) e na docência (18,9%), o que sugere a diversidade das frentes de atuação.

O trabalho no setor público tem sido realizado principalmente nos hospitais públicos (56,6%), assim como na pesquisa anterior (55,1%). Entretanto, os postos e unidades básicas de saúde, onde antes trabalhavam 1,3% dos médicos, atualmente são ocupados por 14,3%.
Já no setor privado a maioria atua  em instituições que têm convênios exclusivos com planos privados de saúde (48,2%) e em unidades que atendem, ao mesmo tempo, planos e SUS (28,7%).

Aumentou em 3%, em 10 anos, o número de médicos que trabalham em plantões (51,8% atualmente).

Cardiologia e clínica médica são mais exercidas
Foram dispostos no questionário três espaços para que os médicos indicassem as principais especialidades que exerciam. A especialidade de Cardiologia foi a mais freqüente (9,8%), seguida por Clínica Médica (8,6%), Pediatria (8,5%) e Ginecologia e Obstetrícia (8,2%). Registrou-se, também, entre as doze especialidades mais freqüentes, o aparecimento da Urologia (5,1%) e Dermatologia (3,6%), sugerindo, segundo o CFM, o crescimento da preferência dos médicos por áreas onde se executam procedimentos tidos como de maior retorno financeiro, principalmente em relação aos convênios privados.

Em 1995, das 65 especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina, dez se sobressaíam no mercado de serviços médicos no Brasil: Pediatria (13,4%);  Ginecologia e Obstetrícia (11,8%); Medicina Interna (8,0%); Cirurgia Geral (5,5%); Anestesiologia (5,2%); Cardiologia (4,8%); Ortopedia e Traumatologia (3,7%); Oftalmologia (3,6%); Psiquiatria (3,3%) e Medicina Geral e Comunitária (2,6%). No país, dez especialidades englobavam 62,1% do total de médicos que atuavam no mercado.

Satisfação com o trabalho e os rendimentos
A maioria dos médicos está satisfeita com sua especialidade (65,4%). Entretanto, a porcentagem é menor do que na pesquisa de 1996. Dentre os pesquisados, 62,2% indicaram que houve aumento da jornada de trabalho; e 80,5% que houve aumento da competência técnica para o exercício da Medicina.

A autonomia técnica (46,1%) e o prestígio profissional (49,8%) também foram referidos pela maioria dos médicos como tendo aumentado.
Quando perguntados sobre a renda mensal que desejariam ter, 12% afirmaram que gostariam de ganhar até R$ 6.000 e 35,9% declararam que a renda satisfatória deveria superar os R$ 12.000.

Para uma jornada de 20 horas semanais, 37,1% disseram ficar satisfeitos com um piso de até R$ 3.000.

SUS e planos de saúde são criticados
Em geral, os médicos têm uma avaliação desfavorável do Sistema Único de Saúde (SUS) e, igualmente, dos planos privados de saúde. São, no entanto, favoráveis ao Programa Saúde da Família (PSF), hoje implementado pelo SUS na maioria das cidades brasileiras.

A avaliação do processo de implementação do SUS foi considerada inadequada pois, dos seis fatores pesquisados, em quatro os médicos indicaram piora: condições de trabalho (52,6%), rendimentos médicos (52,4%), qualidade dos serviços (47,4%) e organização dos serviços (40,7%); em dois deles, os médicos acham que a situação melhorou: cobertura da assistência (50,7%) e emprego médico (44,8%).

Quanto às condições gerais de saúde da população, boa parte dos médicos indicou serem inadequadas (46,2%); apenas 9,9% opinaram que eram adequadas. Sobre a situação do atendimento às urgências e emergências na cidade ou região em que atuam, a maioria a considerou deficiente (49,4%), mais do que o dobro dos que relataram que era adequada (18,2%).

O PSF, de acordo com 74,6% dos médicos, melhorou o nível de emprego e 70% acham que o programa melhorou a cobertura da Saúde.
Quanto aos planos de saúde, 83,4% criticaram a burocracia no consultório; 83,6% afirmaram que piorou o valor dos honorários (83,6%) e 78% que há interferência na autonomia profissional. A clientela de usuários de planos de saúde diminuiu, de acordo com 38,7% dos médicos.

Avaliação das entidades médicas
As entidades médicas mais bem avaliadas pelos entrevistados  são o Conselho Federal de Medicina (46,6%), os Conselhos Regionais de Medicina (45,9%) e a Associação Médica Brasileira (32,3%). A Associação Médica local e o Sindicato Médico têm atuações consideradas insatisfatórias pela maioria dos médicos: 63,1% e 55%, respectivamente. Esses dados, no entanto, foram coletados em nível nacional. Quando forem analisados os dados por Estado, o que só deve ocorrer no segundo semestre de 2004, poderão surgir diferenças importantes nessa avaliação.

Quanto à leitura dos jornais impressos das entidades, os três mais lidos pelos médicos  são do Conselho Federal de Medicina (97,3%), dos Conselhos Regionais de Medicina (91,5%) e das Sociedades de Especialidades nacionais  (83,1%); seguido pelo jornal da Associação Médica Brasileira (72,9%).

Interesse maior por atividades científicas
A maioria dos médicos graduou-se em instituições públicas (70,6%), tem até 15 anos de formada (48,2%) e grande parte realizou algum curso de pós-graduação (78,1%).  Dentre os que cursaram residência médica ou especialização, 66,5% dos pesquisados obtiveram o título de especialista. De 1995 até hoje praticamente dobrou o número de médicos com mestrado (14%)  e doutorado (6,8%).

O médico também está mais interessado em questões científicas. Não somente sua participação em congressos tem aumentado, sobretudo nos nacionais, mas também há a sinalização para um maior acesso às revistas científicas, incluindo as revistas eletrônicas (Internet). No entanto, está caindo a adesão às sociedades científicas.

Visão pessimista do futuro
Na pesquisa de 1996, os médicos  tinham uma visão predominantemente pessimista com o futuro da profissão (41,1%), sendo que menos da metade via com otimismo (18,5%). A percepção piorou um pouco. Hoje os pessimistas somam 45,7% e os otimistas 14,7%. O assalariamento e a incerteza quanto ao mercado de trabalho são apontados como as principais razões do negativismo.

Atenção! A pesquisa estará disponível, na íntegra, na internet em http://www.cfm.org.br


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