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CAPA

EDITORIAL
O melhor da Medicina é a relação médico-paciente


ENTREVISTA
O entrevistado desta edição é Eleuses Vieira de Paiva, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB)


EDIÇÃO ESPECIAL 1
A criação da Ordem dos Médicos do Brasil


EDIÇÃO ESPECIAL 2
A posse dos novos membros do Conselho Federal de Medicina


EDIÇÃO ESPECIAL 3
Comemorações do Dia do Médico


EDIÇÃO ESPECIAL 4
Plenárias nacionais pela implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos


EDIÇÃO ESPECIAL 5
Resultados da plenária dos médicos realizada no dia 21 de outubro, na Capital


GERAL
Faculdade de Medicina de Fernandópolis na mira de alunos e autoridades da região


TESOURARIA - CONQUISTAS
Novas medidas facilitam o pagamento da anuidade


ATUALIZAÇÃO
Acidente Vascular Cerebral


AGENDA
Confira fatos de interesse da classe que ocorreram neste mês de outubro


NOTAS
Alerta Ético, Editais e Convocações


PARECER
Estudo citogenético pré-implantacional


HISTÓRIA
A trajetória do médico e professor Alípio Corrêa Neto


GALERIA DE FOTOS



Edição 206 - 10/2004

HISTÓRIA

A trajetória do médico e professor Alípio Corrêa Neto


O catedrático que se tornou médico expedicionário

José Henrique Andrade Vila*

A foto ao lado foi tirada momentos após uma homenagem que os quartanistas da Escola Paulista de Medicina prestaram ao professor Alípio Corrêa Neto (na primeira fila, ao centro, com chapéu na mão) no dia anterior à sua partida, em 24 de julho de 1944, como major-médico para servir na Itália junto à Força Expedicionária Brasileira.

Causou assombro, na época, esta sua decisão, pois sendo totalmente voluntária, representava o abandono de suas inúmeras atividades. Lembramos que então o professor Alípio Corrêa Neto beirava os 45 anos, era catedrático de Clínica Cirúrgica em ambas faculdades paulistas de Medicina existentes na época e tinha vasta clientela.

Encontrei essa foto entre os guardados de meu pai, Angelo Nogueira Vila, que se pode distinguir no canto superior esquerdo, bem como outros colegas da turma de formandos de 1946, como Costabile Gallucci, Manoel Bifulco, Antonio Carmine Ambrosio, Fauze Carlos, Mário de Mello Faro, João de Vincenzo.
De sua estadia de quase um ano no teatro de operações do Exército Brasileiro na Itália, escreveu o professor Alípio um despretensioso – porém rico – livro de notas intitulado “Memórias de um Médico Expedicionário”.

Nesse livro podemos constatar a aguda percepção do cirurgião ao se deparar, em Natal, com a enorme base norte-americana de Parnamirim, onde as leis brasileiras nada valiam, quando escreve com preocupação “para vencer a guerra o norte-americano necessitava de um ponto de apoio brasileiro e o fez como costuma fazer, integral, seu, norte-americano, sem tinta sequer de nossa terra... Que haverá no futuro neste enclave norte-americano no nordeste brasileiro? Só o futuro poderá dizer”. Felizmente, nessa época era presidente de nossa poderosa nação aliada Franklin Delano Roosevelt, que não exibia pendores neo-colonialistas.

Tensão racial
Adiante, já atendendo os feridos nas batalhas do Norte da Itália, escreve: “continuamos a operar os feridos norte-americanos que vão chegando em levas. Já se vai tornando digno de nota o fato de sempre nos enviarem para atender os negros, já não se trata mais de coincidência. Aí está mais um dado da discriminação racial da nação nórdica. Certamente não tendo sido comprovada perante os responsáveis pela assistência hospitalar, a nossa capacidade técnica, procuravam eles testar-nos oferecendo, como se fosse uma experimentação, os seus patrícios de cor.

A nós, no entanto, isso não causou espécie; não estamos vinculados aos preconceitos étnicos dominantes na terra do tio Sam. Vamo-nos fazendo de desentendidos e vamos assistindo os nossos aliados negros com a mesma dedicação que dispensaríamos aos mais despigmentados dos nossos amigos. A tensão racial no seio da população norte-americana, como se vê, manifesta-se em todas as atividades sociais; até mesmo no campo de luta, onde todos deveriam se nivelar na busca do ideal comum”.

Porém, reconhece a alta eficiência dos cuidados médicos dispensados aos feridos e que eram planejados nos EUA por três iminentes consultores médicos, os doutores Edward Churchill, de Boston (cirurgião geral); Ewarts Graham, de Saint Louis (cirurgião de tórax), que foi chefe do professor Zerbini; e as recomendações do grande Harvey Cushing, neurocirurgião na Primeira Guerra Mundial. Relata inclusive palestras in loco que assistiu destes professores.

As medidas de tratamento do choque, com enérgica reposição volêmica antes da cirurgia, eram realizadas em uma sala especial denominada ressuscitation ward, ou seja, unidade de ressuscitação, onde o paciente recebia todos os cuidados pré-operatórios para que suportasse a longa cirurgia que quase sempre se impunha. Havia a recomendação de extensa lavagem das feridas, pois os soldados chegavam após horas caídos no campo de batalha e com os ferimentos profundamente contaminados. Era sempre administrada também a penicilina, recém-descoberta pelos ingleses e produzida em enorme quantidade pelos norte-americanos. Na cirurgia era preconizada a radical excisão de todo fragmento potencialmente contaminante e adotava-se conduta sempre invasiva nos traumas intra-peritoneais e conservadora nos retro-peritoneais e torácicos.

Chamou também a atenção do ilustre professor os avanços anestésicos, com entubação traqueal de rotina, não realizada no Brasil. Este conjunto de medidas modernas foram por ele considerados primorosos e responsáveis pelos excelentes resultados cirúrgicos mesmo nos feridos mais graves, passando a adotar essas práticas quando de seu retorno ao Brasil (N. R.: ver nota sobre sua carta a esse respeito na página 16  da edição nº 203 do Jornal do Cremesp).

Alemães: sem a penicilina
Já no final da guerra em 1945, quando passou a atender um número crescente de feridos alemães, notou a grande diferença evolutiva encontrada nestes, pois a ausência da penicilina, que era usada rotineiramente entre os aliados, determinava, com freqüência, a gangrena gasosa e suas terríveis conseqüências, mesmo nos pacientes já operados pelos excelentes cirurgiões inimigos. Note-se que dedicava aos feridos alemães o mesmo empenho que aos aliados, salvando também entre estes, inúmeras vidas.

Foi um homem patriota, corajoso e com grandes virtudes humanas. Mereceu, em toda sua extensão, a modesta homenagem que os estudantes da Escola Paulista de Medicina lhe ofereceram antes de sua partida.

* José Henrique Andrade Vila é médico cardiologista e intensivista do Hospital Beneficência Portuguesa e conselheiro do Cremesp


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