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Editorial de Desiré Callegari: "Sobre temas urgentes e emergentes"


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Uma conversa informal com Rodrigo Pinho, procurador-chefe do Ministério Público do Estado


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CRMs retomam mobilização por principais reivindicações da classe


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Acompanhe as conclusões dos Fóruns Regulamentadores da propaganda em Medicina


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A Medicina e a computação gráfica: programas simulam funcionamento do corpo humano


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COPEM do Cremesp avalia treinamento de acadêmicos em serviços médicos


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Como responder a dilemas éticos relacionados à sobrevida de pacientes terminais?


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Falsos médicos. Cremesp adota medidas concretas para evitar a falsificação de documentos profissionais


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CRF-SP divulga manual com a relação de produtos de venda proibida em farmácias e drogarias


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Diretoria e conselheiros marcam presença em eventos pertinentes à classe médica


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Programe-se com a agenda selecionada de Cursos e Eventos para este mês de agosto


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Acompanhe conosco o crescimento do Hospital das Clínicas, o maior da América Latina


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Edição 227 - 07/2006

ESPECIAL

COPEM do Cremesp avalia treinamento de acadêmicos em serviços médicos


Conselho avalia treinamento de estudantes
em serviços médicos


Maria do Patrocínio Tenório Nunes

Pesquisa envolveu hospitais, ambulatórios, prontos-socorros
e centros de saúde

Perto da metade dos serviços de atendimento médico pertencentes ou vinculados a escolas de Medicina no Estado de São Paulo não apresenta condições satisfatórias para a formação dos estudantes internos de quintos e sextos anos de Medicina. Os problemas são mais graves nas escolas que mantêm convênios com hospitais privados para o treinamento prático dos futuros profissionais.

As informações constam de um amplo trabalho realizado pela Comissão de Pesquisa em Ética Médica (Copem) do Cremesp, para verificar a qualidade dos cursos de Medicina no Estado e ajudar na definição de diretrizes para as entidades e órgãos governamentais das áreas de saúde e educação. O trabalho de campo foi iniciado em setembro de 2004 e concluído em janeiro de 2005 em 229 serviços de atendimento, entre hospitais, prontos-socorros, ambulatórios, centros de saúde e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Os dados foram coletados por médicos-fiscais do Cremesp, que seguiram uma metodologia especialmente desenvolvida, explica a coordenadora do projeto, Maria do Patrocínio Tenório Nunes, professora da Faculdade de Medicina da USP e conselheira do Cremesp.

Além de observar a adequação das instalações para as atividades de ensino, o trabalho procurou aferir o padrão dos procedimentos médicos em cada local de atendimento, como a presença de coordenadores dos estudantes ou a qualidade do preenchimento dos prontuários, e suas implicações no treinamento dos internos. Um único item, o da higiene hospitalar, foi aprovado em cem por cento dos hospitais universitários e de ensino visitados pelos fiscais do Cremesp.

Falhas em prontuários
Maria do Patrocínio destaca o melhor desempenho obtido nos serviços médicos próprios das escolas de Medicina, contra um resultado sensivelmente pior dos serviços que mantêm convênios com as instituições de ensino. “Notamos que em muitos casos, os convênios não são documentados e, assim, não estabelecem claramente as obrigações de cada parte envolvida. Essa informalidade faz com que em alguns serviços haja certa improvisação ante a falta de uma biblioteca, de salas de aula ou de computadores conectados à Internet”, comenta a conselheira.

Em relação ao preenchimento do prontuário, os dados mostram que parte desses documentos são preenchidos de forma inadequada. O descuido com esses registros é bem mais grave nos serviços conveniados, que apresentam 31% de inadequação em hospitais, 21% em ambulatórios e 22% em centros de saúde e UBSs. Nos serviços mantidos pelas próprias escolas, cerca de 93% a 100% dos preenchimentos são adequados. A melhor situação foi detectada em ambulatórios-escola, com 100% de correção. O pior índice encontra-se nos prontos-socorros conveniados, nos quais 41,9% do prontuários apresentam falhas. “A constatação é grave porque o prontuário é um instrumento fundamental para o acompanhamento da história do paciente. É inimaginável um médico que não saiba registrar as informações sobre seus pacientes conforme os padrões fixados nas normas”, comenta Maria do Patrocínio.

Supervisão
Outro ponto grave anotado pelos fiscais é a ausência de supervisão adequada aos internos durante os plantões. Nos serviços médicos diretamente vinculados às faculdades, essa atribuição é normalmente responsabilidade de um docente ou preceptor em cerca de 77% dos casos, contra 38,5% nos estabelecimentos conveniados. Em muitos casos, a supervisão cabe ao residente ou ao diarista, que são também majoritariamente os profissionais aos quais os internos recorrem no caso de intercorrências. Na maioria dos hospitais visitados, os internos participam das visitas diárias aos leitos, com assistência de docentes na maior parte dos casos. A ausência do preceptor é comum em 75% dos hospitais conveniados e em 35% dos hospitais próprios das faculdades. A falta do docente é suprida principalmente por médicos diaristas e plantonistas, ou ainda por residentes.

O tempo de estágio nas unidades de saúde também foi objeto do trabalho realizado pelo Cremesp. Embora a maioria dos internos permaneça entre quatro semanas (hospitais conveniados) e oito semanas (hospitais próprios), há casos de internos com estágios de uma semana ou menos. “Num prazo tão curto, o aluno sequer aprende onde estão guardados os materiais”, pensa Maria do Patrocínio.

A conselheira avalia que, de forma geral, os internos encontram situações muito difíceis para um aprendizado adequado, já que os locais de trabalho freqüentemente não têm biblioteca, Internet ou salas de aula disponíveis. “Pior”, diz ela, é que “esses jovens estão se formando em ambientes às vezes caóticos, ao qual acabam se adaptando por falta de alternativa. Um estudante que estagie num pronto-socorro público desestruturado, onde tudo parece feio, velho, sujo e nada funciona, vai reforçar seu preconceito contra a saúde pública, estimulando a busca de emprego em serviços particulares. Isso é extremamente nocivo para a sociedade, que investiu na formação daquele jovem”, pondera Patrocínio.


Serviços de saúde vistoriados

Hospitais ............................ 53
Prontos-socorros .............. 52
Ambulatórios ..................... 42
Centros de Saúde/UBSs .... 82
Total ............................. 229

Bibliotecas em hospitais de ensino: Tem  - Não Tem

Próprio ....................................  12 .........    8
Conveniado .............................  11 ..........  21
Sem vínculo .............................   -   ..........    1
Total ..................................... 23 .........  30


Salas de aula em hospitais de ensino: Tem  -  Não tem

 
Público ......................................... 25 .......    04
Privado ........................................  19 .......    05
Total ...........................................  44 .......    09


Condições da clínica médica em hospitais: Adequada - Inadequada
 
Próprio .................................................      11 ...........       4
Conveniado ..........................................      15 ..........      11
Total ....................................................    26 ...........     15

Nota: Distância correta entre leitos, boas condições de higiene, rede de gases nos leitos e posto de enfermagem bem instalado

Existência de comissão de ética: Sim  - Não
 
Próprio ................................   20 ......   -
Conveniado ..........................  23 ......   8
Sem vínculo .........................   -  .......   1
Total ....................................  43 ......   9

Acesso à internet em hospitais de ensino: Tem   -  Não tem

Próprio ..............................................  17 .........    3
Conveniado .......................................  17 ..........  15
Sem vínculo .......................................   -  ..........    1
Total .................................................. 34 ...........  19

Qualidade de prontuário médico:  Adequado  -  Inadequado

Próprio ..................................   14    ..............   1
Conveniado .......................       17   ...............   9
Total ................................      31   ............. 10

Nota: Prontuários escolhidos ao acaso e avaliados com base nas Resoluções CFM 1638 e Cremesp 70

Vínculo c/a faculdade -  Hospitais  -  P.Ss.  - Ambulatórios  -  C. Saúde/UBSs

Próprio .....................     20 ...........  20 ............ 20 .............    12
Conveniado ................   32 ............ 32 ............ 18 .............     65
Sem vínculo ..............      1 ............   - .............   4 .............       5
Total ....................     53 .......... 52 .......... 42 ............     82

Quem supervisiona os internos em hospitais 
       Docente/preceptor - Residente - Diarista/plantonista - Variável - Total


Próprio ........   7 ...........      2 ..........   2 .......................    3 ........  14
Conveniado.... 5 ..............   4 ........     7 .....................      - .........  16
Total ............ 12 .............   6 .........    9 .....................      3 .........  30

HU é referência no aprendizado de doenças comuns


Criado em 1981, no campus do Butantã, em São Paulo, o Hospital Universitário da USP completa 25 anos de atividades no próximo dia 6 de agosto. Para marcar a data, a direção do hospital e a reitoria da universidade programaram uma série de atividades, com destaque para um fórum sobre pesquisa científica, no dia 10 de agosto.

O HU é um hospital geral com atendimento nas áreas de Clínica Médica, Cirurgia, Obstetrícia, Ginecologia, Ortopedia e Pediatria. Conta, ainda, com serviços de apoio de Oftalmologia e Otorrinolaringologia, Anestesiologia, Endoscopia, Patologia e Radiologia.

Além do atendimento à comunidade, o hospital desenvolve atividades de ensino, especialização, residência médica, pós-graduação e pesquisa para diversas faculdades da universidade, como Medicina, Odontologia, Escola de Enfermagem, Instituto de Psicologia, de Ciências Farmacêuticas e de Saúde Pública. Mantém ainda contato direto com outros institutos, nas áreas de Ciências Biomédicas, Biologia e Química, e com a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, a Escola Politécnica e a Escola de Comunicação e Artes.

Ensino
O hospital recebeu este ano cerca de 1.100 graduandos e 350 residentes de várias faculdades do País. O HU responde por mais de 40% do ensino – de um total de 11.000 horas necessárias à formação de um médico – das áreas Clínica Médica, Cirúrgica, Ginecologia e Obstetrícia. E chega a mais de 50% do ensino das disciplinas de Pediatria.

“O hospital tem hoje um modelo ímpar para o ensino médico e isso se tornou sua marca registrada. Como é um hospital secundário de média complexidade (conceito que não deve ser confundido com o de um hospital de segunda linha), é o responsável pelo atendimento das doenças mais prevalentes em sua comunidade. O aluno de graduação é estimulado pelos professores a assumir integralmente o atendimento de seu paciente e pode ampliar sua visão médica. Com a supervisão dos professores, consegue-se então amalgamar e solidificar os conceitos aprendidos ao longo do curso médico, avalia Paulo Roberto Bueno Pereira, presidente da Câmara de Ensino do HU.

O aprendizado dos residentes tem sido considerado adequado, tanto na parte prática como na teórica, avalia Maria Teresa Zullini da Costa, presidente da Comissão de Residência Médica  do hospital: “O HU tem o perfil de um hospital secundário e, portanto, as patologias acompanhadas pelos residentes são aquelas mais comuns entre a população. Isso propicia ao aluno um aprendizado ajustado à realidade do país”.

A sua estrutura atual conta com 1.775 funcionários, que permitem a realização, por ano, de mais de 880 mil exames, cerca de cinco mil cirurgias, quatro mil partos, 160 mil atendimentos ambulatoriais, 235 mil atendimentos de emergência a adultos e doze mil crianças, além de doze mil internações, segundo dados da assessoria de imprensa da instituição.

O prédio de seis andares possui 235 leitos, oito salas de cirurgia, quatro salas de obstetrícia, catorze leitos de Unidade de Terapia Intensiva Adulta, seis leitos de Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica e outros cinco leitos de Unidade de Terapia Neonatológica. Dispõe de sete leitos de recuperação pós-anestésica, 57 consultórios de atendimento ambulatorial, treze consultórios de pronto-atendimento, cinco consultórios de triagem, onze leitos de observação adulto, doze leitos de observação pediátrica, dois leitos de observação obstétrica, cinco anfiteatros e 17 salas de aula.


Hospital Universitário



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