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Edição 20 - Julho/Agosto/Setembro de 2002

Crônica

Ruy Castro

Sexo no 0 x 0

Ruy Castro*

Em tempos de Copa do Mundo, a pergunta é infalível: “Fazer sexo antes da partida prejudica os jogadores?” Há quem ache que sim e há quem ache que não, e ambas as correntes filosóficas parecem ter sólidos argumentos para sustentar esta ou aquela opinião. Mas, a meu ver, a resposta mais sensata deveria ser: “Não. Nem antes, nem depois. Durante a partida, sim.”

De fato, seria terrível que, aos 28 minutos do primeiro tempo, um jogador pedisse licença ao árbitro para sair do campo e dar um pulinho ao vestiário para uma rápida transadinha com, digamos, uma repórter com quem ele se acertara pouco antes de começar o jogo (não, nem mesmo Romário jamais fez isso – que eu saiba). Nesse caso, não há dúvida de que o sexo influirá no seu rendimento na partida. Por mais rápido que esse jogador seja no gatilho – e mesmo que ele ainda consiga voltar para o fim do primeiro tempo –, isso o obrigará a ficar fora do jogo por vários minutos. E se o time precisar dele justamente nesses minutos? Sem falar no fato de que, por ser uma rapidinha, há o risco de a transa ser altamente insatisfatória para a moça. Nesse caso, não há dúvida: jogar futebol durante o sexo prejudica a namorada do jogador.

Não vejo motivo para que o sexo algumas horas antes da partida faça mal. Num ato sexual, um homem em boas condições físicas descarrega normalmente cerca de trezentos milhões de espermatozóides na primeira ejaculação. Pois, pergunto eu: de que adianta ao sujeito economizar tantos espermatozóides para jogar futebol? Eles não lhe servirão para nada em campo, nem mesmo para comemorar um gol (não se conhecem casos de jogadores ejaculando de vibração, embora muitos se atirem ao pescoço do treinador). Supondo que o nosso craque esteja em forma e, trinta minutos depois, ele e a moça ponham novamente os times em campo, essa segunda carga de ejaculação cairá para cerca de duzentos milhões. E daí? Isso prova apenas que o organismo desse jogador é uma máquina e que, até a hora do jogo, ele já terá produzido outros milhões de espermatozóides, no caso de precisar de alguns em campo.

No passado, tivemos jogadores que conciliaram muito bem o ato de ejacular com o de jogar futebol. O maior de todos foi Garrincha, mas vários de seus companheiros de time não lhe ficavam muito atrás. Nas Copas do Mundo de 1958, na Suécia, e 1962, no Chile, as ejaculações do time eram, acredite ou não, supervisionadas pessoalmente pelo médico da delegação. No intervalo entre as partidas, em determinado dia, de tantas a tantas horas, ele liberava os jogadores para visitar uma determinada casa da cidade, já previamente vistoriada. Ia quem quisesse, e o Brasil, como se sabe, venceu muito bem aquelas Copas.

Mas, de algumas Copas para cá, os dirigentes da seleção já não pensam assim. Na Copa da França, em 1998, nosso treinador, o querido Zagallo, então com 65 anos, declarou a um jornalista: “Se eu posso ficar 52 dias sem sexo, por que eles não podem?” Naquele momento, uma multidão de francesas cercava a concentração do Brasil e nossos rapazes, cheios de amor para dar, já estavam quase pulando o muro. Bem, os craques se comportaram e ninguém pulou o muro – em compensação, não ganharam a Copa. Agora, nosso treinador Felipão já deixou bem claro que sua seleção é “uma família”. E, numa família, como se sabe, ninguém ejacula a não ser para fins reprodutivos.

Digam o que quiserem, continuo achando que não há o menor problema em que um jogador faça sexo antes de uma partida. Desde que isso não atrase o começo do jogo.

*Ruy Castro é escritor. Seus livros mais recentes são: “A onda que se ergueu no mar – Novos Mergulhos na Bossa Nova” (Companhia das Letras) e “O Vermelho e o Negro – Pequena Grande História do Flamengo” (DBA), ambos de 2001.

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